quinta-feira, 20 de abril de 2017

Adaptações.

Mulher-Usando-Coturno

Pela primeira vez na vida, notei que minhas pernas estão, de fato, muito bem definidas, embora eu nem tenha feito muita força pra isso. Apesar dos risinhos dos colegas quando acuso essa minha condição estranha, não era pra menos... porque foi esse o jeito que encontrei de me enturmar com os meninos nesse novo local de trabalho - fazer atividade física com eles - judô, jiu jitsu, corridinha e malhação. A propósito, não quero causar nenhum mal-estar nos demais setores da polícia, mas aqui a gente tem essa graça de, com muita classe e elegância, malhar no horário de expediente. Sim, é parte da programação, inclusive.  

Quero apenas que morram de inveja, pois a grande maioria dos colegas que chegou junto comigo ficou lotada numa seção que facilita o aprendizado e o treinamento. Então além de cuidar do preparo físico, estou estudando a papelada, revendo aqueles pontos mais delicados, tirando dúvidas que surgem no dia a dia e tenho conseguido acompanhar os treinamentos muito bem. Eu precisava dizer isso porque "isso" é condição básica pra quem quer durar pelo menos uns dois anos neste setor aqui.

(O trabalho é tenso às vezes, mas a cada turno de serviço tenho a oportunidade de conversar com um colega mais interessante que o anterior. Nossa! É cada história de vida! Dava pra escrever vários e excelentes livros sobre policiais infiltrados, policiais atletas, policiais especialistas, policiais que cumpriram missão no exterior! É muita riqueza institucional por metro quadrado!)

Sinto-me realmente privilegiada por fazer parte deste grupo, mas não sei quanto tempo vou aguentar, não... A diretoria é muito, mas muito, muito exigente e a carga horária às vezes chega a ser exaustiva! Nessa brincadeira, como você já deve imaginar, vida social é quase zero. Além disso, já sacrifiquei meu cursinho de Francês e só malho no serviço, agora, porque todo o tempo livre que tenho ultimamente é pra ir pra casa cuidar dos meus homens, mas tenho conseguido levar bem.

Minha maior dificuldade por enquanto é que não estou conseguindo me enturmar com as meninas do trabalho... Estou tirando zero nessa prova. Nossas escalas de serviço, treinamento e viagens não coincidem de jeito nenhum e eu simplesmente não consigo ter acesso a elas. Quando passo por uma ou outra no corredor, estão sempre correndo, ninguém tem um minuto pra um café... Sei que tudo leva um tempo pra acontecer, mas tenho muita dificuldade de provar que sou legal pra quem não tá interessada, logo, não provarei. 

Sinto falta de uma coisa chamada amizade que ajuda muito, não é mesmo?

sábado, 7 de janeiro de 2017

Meninas que dormem no banheiro.

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Uma das coisas que mais me deixavam curiosa neste novo local de trabalho, era ver como as meninas daqui atuavam. Eu queria muito saber como elas resolvem coisas que até hoje não resolvi. Não tinha nenhuma instrutora no curso, o que é uma pena, porque elas sempre dão uns bizus para o público feminino. Sim, já tinha visto algumas dessas meninas operando, mas foi sempre de longe, no máximo um olá, ou minutos rápidos daquela conversa formal de quem se respeita e se analisa mutuamente.

Na verdade só fui apresentada ao segmento feminino, informal e acidentalmente no banheiro das meninas. Foi meio traumático, pra falar a verdade. Neste "posto", nós não temos o que se pode chamar de alojamento para repouso. Nos banheiros temos aqueles armários individuais e alguns sofás. Entrei nesse toilete feminino, acendi a luz e bingo... Tinha umas quatro meninas descansando lá, na hora do almoço. Dormindo, né? 

Lembrei-me da aula de bombas e explosivos quando o professor dizia "não acendam a luz quando entrarem num ambiente com suspeita de bombas". Hihihi... Tudo bem, não foi nada, mas sabe? E essa foi minha breve introdução. 

Lembro-me que uma delas, que nem é tãããão antiga assim, estava com uma cara meio grogue de tanto sono. A outra me olhou como quem diz "quem é esta que perturba?". Era eu me explicando, "Desculpa gente, não, era nada não. volto depois"  e blé. Fugi.

Mas isso aconteceu tão logo cheguei aqui. Como eu havia dito, o blog tá atrasado e inclusive, nosso aniversário passou sem postagem especial no ano passado. Pretendo me redimir.

Mas voltando ao assunto, ainda estou procurando por alguma marca de estilo que a experiência delas tenha trazido para nossa atividade. Quero muito aprender algo delas que eu leve comigo depois que eu sair daqui. E que seja exclusivo, porque isso aqui é uma experiência única! Sei lá se estou ficando exigente demais. Simplesmente me recuso a aceitar que a doutrina seja tão masculina assim.

Até o presente momento a única coisa que eu sei, é que as meninas aqui dormem no banheiro e dormem mesmo. Agora, por mais que eu me mate o dia inteiro e esteja exausta na cama por volta de 20 horas quase todos os dias. Eu não vou dormir assim no banheiro, gente. Ou seja, algo me diz que trarei um certo desconforto iluminista ao ambiente. Fiat lux!