quarta-feira, 11 de março de 2015

"40 tons de punição"


Peguei meu pedreiro, em flagrante, me roubando. 

Foi assim: vendi meu apartamento, comprei um lote, escolhi uma planta com um engenheiro legal e contratei o pedreiro. Poié... esse cara, o pedreiro que me indicaram, com mil e uma recomendações, havia atrasado assombrosamente o andamento da minha obra, porque precisava construir, ao mesmo tempo, a casa dele com meu material de construção. Eu disse: "construindo, ao mesmo tempo, a casa dele". Eu disse: "comeu material de construção". Primeiro dei falta de um saco de cimento. Mas porque sou policial, meu bem disse que desconfio de todo mundo. Desconfio mesmo! É a ética da vida, sem sentimentalismos ou utopias, amore. Bem disse o jesuíta Baltasar Gracián: "a confiança é a mãe do descuido". 

Depoieu simplesmente vo pedreiro carregando o meu material pra casa dele

Aí você, baseando-se naquelas milhares de histórias de policiais que ouviu por aí, imagina logo que eu dei voz de prisão em flagrante para o safado, né?

Estudos recentes dão conta de que policiais adoram contar vitórias, principalmente professor de academia de polícia, mas poucos contam as derrotas. A menina super esperta da polícia de Marte que perdeu o cargo por ter grampeado o celular do namorado, jamais se do tipo que fica na boate dando  carteirada de heroína com essa história pra novinho dormir. O antigão policial de Pluo que "puxou arma" pra vendedora da banca de muamba, uma chinesa que lhe vendera mercadoria danificada, levou, sei lá, uns 40 dias de suspensão, mesmo tendo recorrido ao judiciário. Esse extra-terrestre policial não vai escrever um livro sobre os "40 tons de punição" que ele levou. Ocorre que depois da estratégia mal sucedida da "PEC da Impunidade" os delegados humilhados precisam mostrar serviço para o Ministério Público. Se espirrar, saúde, Senhor Corregedor!  

o pergunteo que eu fiz coo pedreiro ladrão.

"Mas você fez o que com o pedreiro ladrão, Novinha espera?"

Nadinha, obrigada. Apenas dei-lhe um sermão do tipo "sabão", entreguei a obra pra Deus e para o meu bem (em amboos sentidos, mesmo). o... nem demitir o pedreiro eu pude, porque mesmo se ele voltasse a me roubar, ainda compensava financeiramente porque  meu prejuízo seria menor. Haja vista que um distinto cavalheiro  que chamo de meu bem já tinha dado um adiantamento robusto para o vagabundo que me recomendaram tão bem. Va-ga-bun-do, sim! 

Achando que fui conivente com um roubo contra minha pessoa. Procede?

Estou contando tudo isso porque mundo precisa saber que pela primeira vez na minha vida... sério mesmo, senti uma forte empatia para coos assassinos frioe calculistas que entraram para a história da humanidade. (Furto famélico porque não é o seu material, meritíssimo!) Eu realmente quis matar esse filho de chocadeira, desgraçado, porque eu passo dias e dias fazendo orçamentos, para o bonitão colocar meu material comprado com meu dinheirinho suado e honesto na casa dele ainda receber poisso? Muita raiva, tanta que não consigo sequer pisar naquela obra mais. Porém, como tudo na vida tem suas consequências, levarei para a terapia essas minhas recém adquiridas fantasias de SNIPER! Sabe aquele cara que atira de longe, com tranquilidade e precisão? Fantasias, né, porque nessa histórieu não sou sniper, sou refém do desgraçado do pedreiro ladrão. 

A propósito,hipoteticamente falando, se alguéestivessentind
refém coessa roubalheira da Petrobrás, não pode chamar THE SNIPERS, pode?  

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Idiota.


Aquela que acha que pode tratar com seus colegas de "homem pra homem" e o cara força um beijo. E claro, tinha que ser justo aquele que sua colega de quarto tá a fim, né?

sábado, 17 de janeiro de 2015

Não é sério.



Pensando a respeito de uma certa pena que sinto de colegas que dizem estar numa tal de "greve branca" (não sei!) mas viajam a serviço pra ganhar diária$ e atrapalhar a "greve branca" dos outros (também não sei!).

Mas é certo que aplica-se o mesmo raciocínio lógico supracitado a essa marra toda da Administração pra impedir a entrada de deficientes físicos na Polícia. Eu sei... EU SEI!!! Mas conheço vários policiais cegos, surdos, paralíticos, cardiopatas, anencéfalos, etilocefálicos... que dão mais trabalho pra gente quando vão pra operação do que se tivessem pego atestado médico.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Perfeito e simples.


Ele disse pra mim que um dos melhores momentos desse ano pra ele foi naquele fim de tarde onde depois de namorar um pouquinho ficarmos os dois juntinhos assistindo aos clips das músicas que deixei tocando aleatoriamente no celular. Eu gostei de ouvir isso. Gostei muito.

* Ps.: Atendendo a pedidos, uma palhinha das minhas top músicas para ouvir depois.

Roberta Campos - Maior que o mundo
Christina Perri - A thousand years
Flávio Venturini - Noites com sol
Ziggy Marley - Drive
Djavan - Correnteza
Coldplay - The scientist
Nuria Mallena - Quando assim
Vander Lee - Esperando aviões
Adriana Calcanhoto  - Inverno
Pedro Mariano - Simplesmente
Green Day - Wake me up when september ends

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mais iguais que os outros.


Enquanto devolvia materiais sob minha cautela naquela Divisão, me assombrei com a necessidade que aquele engravatado tinha de tentar se vingar de qualquer jeito. Ficou só na vontade, porque agora quem não quer sou eu. Entreguei a chefia por conta daquele incidente que narrei no post anterior. 

Essa reação agressiva do delta corrobora com a perspectiva de Clarice Lispector que disse estar enganado aquele que não sabe que a simplicidade se conquista com muito trabalho. É que pra ele, era uma afronta eu abrir mão do "status" que "ele me dava" através daquela chefia ridícula. Um ingênuo esse pobre coitado. É uma vítima da competitividade autocentrada e estúpida entre pessoas e cargos nesse estilo irracional pré-renascentista de comandar a polícia, onde o chefe ainda se acha o centro do universo. 

Não me enquadro nessa cadeia de produção. Meu problema, segundo Fernanda Young, é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente. Deve ser muito complexo para algumas pessoas aqui no Ocidente esse raciocínio de quem quer apenas fazer seu trabalho de forma honesta e dormir em paz. Essa é a paz que eu quero conservar pra continuar sendo feliz, ô Rappa.

Estou voltando para a minha área operacional, em um nível ainda melhor. E lá pretendo continuar trabalhando sem fazer acepção de pessoas. A lei precisa ser igual pra todos.

Fica um sentimento de revolta, de desesperança na Administração pela falta de humanidade no tratamento prestado ao contribuinte que, infelizmente, é quem sempre leva o prejuízo porque, provavelmente, estarão procurando quatro servidores pra fazer o trabalho que eu fazia sozinha e com muito prazer naquela Divisão. Acho que é uma boa oportunidade para aprenderem a prestigiar mais a alteridade em vez da autoridade.

Eu sou policial, sou servidora pública e tenho coisas mais interessantes pra fazer na polícia antes de me aposentar. Perdão pelo transtorno que causei, mas não fiz um concurso desses pra ser capacho de delegado capacho. 


***Hoje é aniversário do Mulher na Polícia. Cinco anos. Muito obrigada a você, leitor***.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Integridade.



Fé em Deus acredito que até o diabo tem. Agora, viver de forma coerente com essa fé e o amor que dizemos ter pelo nosso Deus "acima de todas as coisas" é outros quinhentos. E acredito também que Deus testa pedagogicamente a nossa fidelidade ao longo do caminho.

Há uns dias atrás, um desses cosplays do "poderoso chefão" me chamou no gabinete dele, a portas fechadas, e pediu uma "atenção especial" para um processo... Não gosto dessa expressão "atenção especial". Gosto de deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Prerrogativa esta que não negocio em hipótese alguma. Por isso, dei de ombros, solenemente, ao pedido do engravatado, pois me reservo, categoricamente, o direito de dizer "não" toda vez que alguém me obrigar a fazer ou deixar de fazer algo, se isso agredir a minha natureza; estuprar a minha essência ou violar os meus valores.

Adivinha o que aconteceu?

~().()~
o

domingo, 19 de outubro de 2014

Feridas abertas.




Mensagem no meu celular (nomes adaptados):

"A tristeza pelo dia de ontem é muito grande. É tristeza pra mim. Pro Terroristazinho. Pro Indiozinho, pra mãe. E pro Senhor. Todos nós temos nossas razões. Todos nós estamos feridos. Eu não sei como isso irá terminar. Mas eu queria com o olhar da fé, vislumbrar as coisas mudadas, amadurecidas e resolvidas, para o bem de todos. Difícil. Mas, só posso recorrer ao trono da graça de Deus. Caso contrário, teremos somente as ruínas. Deus os abençoem neste dia, apesar do que se passa no coração de todos nós. Abraços do pai e esposo". 

domingo, 12 de outubro de 2014

A presa.


Dedicaria uma vida a estudar certos fenômenos psicológicos que acontecem no mundo policial, caso eu fosse uma psicóloga na polícia.

Eu, com armamento pesado nas mãos, tinha que ficar esperta enquanto fazia a segurança dos colegas que procediam à busca na casa dela. E ela estava ali na minha frente. Eu não a tinha, ainda, visto assim, de perto, mas já havia estudado o perfil dela pelas informações que me passaram. Tinha 26 anos e uma casa caída. Tentei ler seus pensamentos. Ela mostrou-se preocupada durante toda a busca, mas parecia mais um ar normal de preocupação. Até eu também ficaria preocupada com a polícia dentro da minha casa mexendo no meu guarda-roupas, ora. Já o namorado dela, rá... tava na cara. Era culpado, sim! Eu li isso com todas as letras na forma como ele perdia o olhar enquanto ensaiava mentalmente desculpas para o caso de encontrarmos o material.

Sentiu a diferença? Não queria ser desagradavelmente enfática nesses detalhes, mas a maioria dos homens que conheço são previsíveis como uma sequência nas músicas do Renato Russo, basicamente três notinhas num violão: Lá, Sol, Ré... e eu já sei como essa música vai acabar. Já nós, mulheres somos feitas de improviso, tipo BB King Jazz in Concert com sétima em sustenido maior que a minha capacidade de assimilação.

O chefe da operação era um delegado "zerinho" e desnorteado que não tinha noção sequer do que estava fazendo ali. Quase passou mal quando o colega gritou para que abrissem logo aquela porta. De forma que, na hora de voltar pra delegacia, em vez de determinar logo como faríamos, perguntei: "Chefe, e aí? Como é que o senhor vai querer levar esses dois?" Ao que ele me respondeu, com os olhos meio assustados pela pergunta: "Ah, não, ó... Vocês que sabem aí, o que vocês acharem melhor, tá? Eu tô aqui só pra blábláblá...". Eu já sabia... Vocês também. "Então ele vai aí com vocês e ela vem aqui comigo".

E assim foi feito. A menina foi conduzida ao banco de trás da minha viatura, em silêncio e de cabeça baixa.

Sentei-me do lado dela e comecei a arquitetar uma nova estratégia. Ela se mostrava muito envergonhada, provavelmente porque era outra mulher (eu) que estava do lado dela. E era esse sentimento mesmo que seria usado contra ela - a vergonha. Mas não agora. Quando a viatura começou a andar eu disse: "você sabe porque está sendo presa, não sabe?". Porque a gente é que não tinha certeza se ela era a vendedora no áudio (interceptações telefônicas). A pergunta foi como um tapa na cara e ela desatou a chorar, articulando arrependimentos extemporâneos e deixando o cabelo ombré esconder o rosto visivelmente quente. E logo começou a vomitar sentenças que conectavam as informações que eu já tinha. Era ela mesma!

Sem pressa, esperei ela parar de chorar. Quando ela ficou mais calma, senti que era hora de avançar mais um pouquinho. A garota estava sozinha dentro de uma viatura com três policiais, sem saber pra onde estava sendo levada. Qualquer um que lhe oferecesse uma cobra dizendo que era uma corda ela agarraria pra sair dessa. Cutuquei a perna dela de leve com a minha, pra estabelecer uma conexão e disse com voz bem tranquila, como quem só quer ajudar: "Olha, você não precisa falar nada pra mim, não, tá? Pode ficar calma, esperar seu advogado. Tá tudo bem?". Ela respondeu que sim! Putz, ela estava realmente apavorada! Aposto que a vontade dela era deitar a cabeça no meu colo e chorar até amanhã pedindo perdão. E eu tive pena. Até achei que essa seria uma prisão bacana, que eu faria com prazer. Mas na hora "H", eu tive pena one more time.

Então comecei a puxar na minha memória o que esta... criatura falava ao telefone (xingar vagabundo é muito cliché mesmo para blogs policiais). Tem certos crimes que mexem mais com a gente do que outros, pela covardia do autor, pela fragilidade das vítimas, pelas sequelas emocionais que deixam nos envolvidos, pelos sinais de maldade no coração. Ou, simplesmente porque a pessoa não se toca do mal que está fazendo, como se sua mente obscena estivesse cauterizada. Esse tipo faz as pupilas da gente dilatar de raiva. Contudo, essa guria estava, pelo menos, envergonhada. Era um bom sinal. Vai ter tempo agora pra parar e pensar no que fez da vida. Sempre tenho esperanças.

Esse sentimento dela, de vergonha, foi meu fórceps. Cada um tem seu jogo, mas todo bandido tem mãe. A dela era evangélica praticante. Essa menina provavelmente foi criada na igreja, frequentou Escola Bíblica Dominical, cantou no coralzinho infantil, sabia histórias de personagens bíblicos como Sansão, Davi, Moisés... sabia perfeitamente bem as consequências espirituais das suas atitudes. Posso deduzir que tinha curiosidade para conhecer o mundo fora da igreja e achou que tinha condições de "andar à beira do abismo", bancando o risco sob a desculpa de que Jesus comia com pecadores. Baixou a guarda, trouxe despojos de guerra para casa, se envolveu com o cara errado e deu nisso. Porém, mãe é mãe. E mãe de bandido sofre miseravelmente! Essa parte da investigação na casa da mãe dela tinha ficado comigo, fiz campana lá com outro colega um tempão. É ótimo fazer campana quando se é mulher, ninguém imagina que é isso o que você está fazendo lá, sentada na calçada batendo bapo. Por isso eu sabia que era por aí.

Eu apenas mirava o coração quando disparei: "Eu só tenho pena da sua mãe, quando ela souber disso". Essa frase deve ter doído mais do que qualquer outra coisa que eu pudesse ter-lhe feito. Era a verdade pura, nua e crua. E a verdade dói mais que uma surra. Mas acabei atingindo também o cérebro, porque ela entendeu que a polícia sabia de tudo da vida dela (mentira e eu não disse isso). Mas já que veio como bônus, não desmenti a falsa conclusão a que ela chegou. O fato era que tínhamos virado a mesa e agora ela que queria saber desesperadamente o que nós "Agentes de Preto" sabíamos. Medo, né? E chorou de soluçar. Ela era menos esperta do que eu imaginava. Nesse momento eu já estava fria como um cadáver jogando xadrez.

Honestamente, confesso que não sabia direito qual a próxima peça que ela estava pensando em mexer. Nem queria cantar meu jogo pra ela. Decidi aproveitar a vantagem tática e lancei-lhe uma sucessão de verdes, cujo resultado foi a colheita completa e completamente madura. Sem eu triscar um dedinho sequer nessa criatura, juro, ela abriu toda a história, os nomes que faltavam no organograma da quadrilha, as quantidades, a coisa toda e eu só mandei pra frente.

Enfim, terminados os trâmites legais na delegacia, ela seria levada para outro local. Vi a irmã dela chegando, mas preferi sair fora logo pra não ser vista pela mãe. A minha missão tinha acabado. Nesse dia, nossa equipe precisou estar pronta na delegacia às quatro da manhã para o brieffing e agora eu já estava morta de cansada. Não obstante, o mais bizarro de tudo é que dirigindo de volta pra casa me imaginei atualizando O MEU perfil e inserindo: "pessoa fria, manipuladora e calculista", características que curiosamente mais me chamaram a atenção no modus operandi dela. Preciso dormir.

domingo, 28 de setembro de 2014

Pra cho-car a sociedade.


Quando cheguei aqui neste setor, tive que descobrir praticamente sozinha como trabalhar. Isso é muito normal por aqui, e, não vou omitir, aconteceu em quase todos os lugares por onde passei na polícia. Praticamente não houve passagem de serviço ou da carga de equipamentos, et cetera et al. Por que isso, comunidade? Cara, eu acho que a Administração pensa mais ou menos assim: "você passou num concurso punk desses, sobreviveu a um curso de formação parrudo, então sabe se virar muito bem..." E a vida ri da minha cara.

Curiosamente, a única coisa que me deram quando cheguei aqui pra trabalhar foi uma apostila nada engraçada contendo a legislação aplicável à área. Sério. Minha chefa ou qualquer outro colega só entravam no circuito quando eu provocava com alguma dúvida. Nos primórdios, era tanta informação nova que eu tinha que anotar. Tantos detalhes, e minúcias, e exceções. Assim, tudo o que eu aprendia no tapa ia para o meu roteiro particular de análise de documentos. Acho que manjei uns checklists bacanas (influências militares). Aos poucos, errando aqui e acertando ali, fui traçando um roteiro, um verdadeiro "mapa do caminho das pedras" que não tinha no Google Maps. Quando a minha nova tropa de contratados chegou, apresentei-lhes os checklists e tudo fluiu sem traumas. A vida me encara séria, às vezes.

Agora, nossa chefa quer reunir todos os nossos "clientes policiais", nossos colegas que trabalham na ponta dessa área aqui, e vamos mostrar pra eles onde podem melhorar. Assim, além do consumo interno, a gente agora vai exportar nossos checklists. Bonitinho, né?

(Entenda o caso: os policiais da ponta mandam pra gente o fruto do trabalho deles e os errinhos são tantos que às vezes a gente precisa, inevitavelmente, devolver a papelada toda pra fazerem tudo de novo... Um vergonhoso desperdício de tempo, dinheiro público e energia. Mas agora os nossos problemas acabaram).

Vamos reunir nossa "clientela" num lugar mais que especial... É. E esta que vos escreve será uma das palestrantes no evento!!! Eu. Que escrevo estas mal digitadas linhas para os senhores. Serei pa-les-tran-te. Num evento. Policiaaaaaal. Queria tanto que o nível da polícia não decaísse a esse ponto.

Resta-me sorrir pra vida em "Sol Lamento", disfarçando o frio na barriga.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fim de expediente.


Agora que passei a ser chefinha com gratificação e tudo, ganhei uma sala pra chamar de minha, a qual divido com um assistente estagiário superlegal. Era pra ser uma vantagem fantástica, afinal, um novo escritório é um símbolo moderno do progresso na carreira de uma pessoa. Além do que, aquela outra sala era barulhenta demais, parecia uma feira. Só que não. Eu fico sozinha à tarde porque o estagiário só trabalha no período da manhã. E qual seria o maldito problema de ficar sozinha? Simplesmente não posso ficar nem um segundo nesta sala após o expediente porque tem um delegado antigão metido a galanteador aqui! Blé.

Pensando seriamente em trazer o Bush meu fuzil preferido pra me fazer companhia. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Chegar chegando.


Hoje acordei mais antiguinha. Chegaram dois novinhos aqui pra trabalhar com a gente. Mais novinhos do que eu e, estremeçam antigões que não querem nada com nada, os dois já chegaram assumindo chefia! Quem não faz, leva, tá.

Dois agentes: um do sexo masculino e uma do sexo feminino. Esta, também é natural do Estado em que nasci.  Vieram a fim de substituir o pessoal que estava querendo sair. A chegada de novos agentes significa que eu terei a preferência quando quiser pedir pra trabalhar noutro local. Eu, meditando... sob arrepios de antiguidade.

A Dama de Ferro também aproveitou a "dança das cadeiras" e assumiu uma chefia de ferro na polícia, longe daqui. Eu acho que ela é a primeira mulher a assumir um posto desses. E toda a Terra se alegrou. Porém, para o lugar dela veio um outro delegado muito queimado no quesito relacionamento com os subordinados. Houve choro e ranger de dentes. Como eu conheço a minha tropa, já tratei de investigar. Mas a única coisa que percebi é que o cara é exigente. Bom, exigente eu também sou. Se fosse só isso, a gente iria se dar muito bem.

Só que, ele deixou bem claro que não quer a amizade de ninguém, mas competência. Fico pensando, por que não os dois? Por que eu não posso ter razão e ser feliz concomitantemente? Porque o chefe-sem-amigos disse que é assim que vai ser. Ótimo, então também não sou eu quem vai passar a mão na cabeça dele, ora essa. 

Na primeira missão importante (e cheia de cascas de banana) que ele passou pra mim, eu amarrei todos os detalhes pra que depois ele não me venha acusar de incompetente, de desidiosa, de irresponsável. Essas coisas que os chefes carreiristas e amantes das estatísticas fazem e nos causam tanto mal. Se o padrão de qualidade dele é alto, o meu será Pico Everest Level. Sério, vou deitar o cabelo.

Tanto que meu relatório foi ilustrado com fotografia profissional, desculpa, ok? Chamei o meu antigo e querido ex-chefe aposentado, Roger Murtaugh, pra me dar uma mão. Ele veio vibrando (o trabalho dele na iniciativa privada, não decolou, infelizmente...) Relatório pronto, mandei para o novo chefe-sem-amigos. In relatorium veritas ipsis literis... Mas não era mesmo, o tipo de verdade que ele queria ler ali. Tô nem aí! Latim combina demais com esse meu novo estado de antiguidade policial. Obrigada. 

Com essa experiência, aprendi uma coisa importante. A polícia não é dos espertos, nem dos delegados, nem dos bairristas, nem dos antigões, nem dos puxa-sacos, nem dos mais competentes e preparados. A polícia é de quem tem amigos.