Recapitulando: a delegada saiu de férias e o setor que ela coordena emperrou. Por isso um gênio da Administração, formado em qualquer coisa menos Administração, manda pra este setor carente de mão-de-obra uma pessoa totalmente crua no assunto - eu - pra substituir esta figura lendária que ligou o "problemaseu" e foi viajar... My name is... Buraco, esqueceu? Tapa-Buraco.
Antes de começar a assinar toda essa papelada e fazer girar a manivela desta engenhoca burocrática, eu preciso estudar a porcaria toda da legislação, que está cheia de furos e falhas ridículas que precisam ser complementadas por pareceres óbvios e, diga-se de passagem, cafonas demais, onde o "dotô" operador, que possivelmente estudou com Pontes de Miranda, me irrita escrevendo palavras como "despiciendo" nas peças... (Assunto encerrado).
O telefone toca o dia inteiro porque a humanidade em peso decidiu telefonar para esta seção em busca de informações sobre seus documentos em trâmite por aqui. São três mega pilhas de papel, olhando impacientes pra mim em cima daquela mesa. Olhares impacientes exercem um certo poder sobre mim. Eu realmente fico me perguntando o que a última frase desse parágrafo tinha a ver com as anteriores.
Ocorre que para dar o devido andamento nesses papéis EU também preciso de autorização para consultar sistemas de informação. Sabe aquelas telas pretas dos computadores dos sistemas de pesquisa policiais que a gente vê nos filmes? Aqui tem vários destes. São muitos, com vários gestores diferentes. LOGO, pra cada um, uma senha diferente. Aí começa toda uma maratona pra descobrir como eu faço pra conseguir cada senha dessas. NENHUMA PESSOA HUMANA AQUI SABE INFORMAR NADA DIREITO!
Não obstante, o sistema é bruto, parceiro: "escreveu não leu o pau comeu". Por isso não posso sair por aí autorizando qualquer coisa sem saber do que se trata, por quê, como, quem, onde.
Não acabou. Após descobrir o caminho das senhas através de uma façanha resultante de extenuante trabalho de investigação que deixaria o CSI no chinelo, só falta você fazer noventa memorandos, contendo seu nome, número de matrícula, local da sua lotação, uma dissertação com o porquê você precisa acessar esse sistema, seguidas do nome do seu seriado de TV favorito e o número do seu grau de miopia. Daí... protocola em quinhentas vias, todas assinadas e com o "de acordo" dos seus 981 chefes. Após, anexa cópia autenticada dos memorandos, da sua carteira funcional, identidade civil, da carteira de motorista, CPF, conta de luz, da carteirinha estudantil, a do clube do sindicato, associação, federação e a da irmandade muçulmana. Aí manda e espera. Mas espera sentado, amigo, porque vai demorar.
Saudades da rua, onde bastava uma ligação telefônica para o cara certo e tudo se resolvia.
Sabe quem é o otário nessa história toda? Não... não sou eu, não... É você, pacato cidadão, que PAGA CARO POR ESSA PORCARIA DE BUROCRACIA DO FATÍDICO SERVIÇO PÚBLICOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO.