quinta-feira, 23 de junho de 2011

Saí mais cedo.

Por e-mail:


Eu disse:
Amor...
Somos melhores juntos, né?
http://www.youtube.com/watch?v=tkRPovwO4ag
Te amo!

Ele respondeu:
Que romântico!!!! Obrigado! É bom saber que vc está e quer estar sempre do meu lado... mesmo com todas as dificuldades do dia-a-dia! Bonita a música desse cara não? Parece com você! Vem logo pro nosso cantinho... Bj!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Qual é o músculo mais forte do corpo?


Eu, na minha, tentando fazer o meu trabalho, e o tiozinho me pergunta numa sala cheia de gente - "Então você é a policial que tá trabalhando aqui agora?"

Eu - "Sim, sou eu. Novinha. Muito prazer".

O tiozinho, me olha como se eu fosse um pedaço de carne no açougue e dispara essa - "Mas... com esse bracinho aí você acha mesmo que garante? He, he, he..."

Eu até pensei um pouco, em consideração aos cabelos grisalhos dele, mas há muito eu esperava uma oportunidade de usar essa magnífica frase de filme: "E quanta força o senhor acha necessária para puxar o gatilho dessa pistola aqui?"

sábado, 18 de junho de 2011

Eu faço questão.

Sou da opinião que quando não é fácil pode ser bem mais proveitoso. Sou daquelas que sorvem o cálice até o final e não me importo se um fio de vinho tinto me escorre pelo canto da boca. É da vida e eu não reclamo. E tudo o que escrevo é inteiro, mesmo que pelas metades. Minha fonte de inspiração e energia é a única coisa que merece o termo "autosustentável" neste mundo. Então já estou no lucro, apesar de que ainda não encontrei o que estou procurando. De qualquer forma, para onde Deus me levar eu vou feliz, mesmo que chorando, porque minha guerra é outra e meus sonhos se renovam com o nascer do sol. Daí que, no final, quando tudo aqui acabar, vou dizer estas palavras: "Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé".

terça-feira, 31 de maio de 2011

Por muito pouco.

Ele diz que eu sou ingênua demais pra perceber determinados tipos de coisa. Não sei. Mas reconheço que nunca estive brincando tão perto de um penhasco como naquela missão com o Jack Bauer. É aqui que a gente separa as meninas das mulheres. Isso eu sei.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tenho pavor.


MSN. Não aguento conversar no MSN, pois não consigo falar com várias pessoas ao mesmo tempo. Eu sei que posso ficar escondidinha lá, mas considero meio falsidade entrar no modo "invisível"... e também detesto imaginar que aquela demora nas respostas da pessoa que está conversando comigo é porque ela está de trololó com mais uma dúzia de gente. E quando alguém "...está digitando uma resposta" e apaga? Isso acaba comigo. Porque sou infantil e fico doente querendo saber o que tinha naquela maledeta frase que fez com que o interlocutor a apagasse. Além disso, não é o meio de comunicação mais seguro, né? Já que até um escoteiro tem acesso a conversações alheias no MSN. Ah, mas é uma pena, pois do contrário minha conta telefônica seria bem menor.

Reunião do sindicato. Será que eu posso pelo menos tentar explicar?! As reuniões do meu sindicato são o caos chupando manga (péssimo trocadilho, mas faz sentido). Sem representatividade, sem liderança e sem inteligência, os profissionais (se é que podemos chamá-los assim) que se metem a nos "unir" não são o que deveríamos chamar de os melhores espécimes da linhagem. Simplesmente, não consigo confiar neles. Queria tanto. A impressão que dá é que nada do que eles tentaram fazer na polícia deu certo, sei lá por quê, então, o jeito foi pleitear uma vaga na diretoria do sindicato, o que já lhes dá direito a um celular full time e de uso ilimitado. Ih, ó... me poupe! Você não sabe mas sou politizada, sim. Demais da conta. E saiba que até a minha alienação é mais sincera que esse engajamento impróprio. E é isso. Não tenho culpa se meu sindicato é patético e se meus líderes sindicais em nada me inspiram.

Carro kinder ovo, chá, unhas desenhadas, fazer declaração de imposto de renda, novela, dar carteirada e não entrar, SBT, e-mails repassados, fila, piercing no dente, filmes de guerra, suco artificial, decoração artificial, colega policial artificial e tudo o mais que seja artificial. Gente que fala pelos cotovelos. Policial frustrado que vive de passado. Posso abrir um parêntese? Me persegue esse tipo. Entra na viatura reclamando da meteorologia e volta maldizendo o trânsito. Absolutamente tudo pra ele está errado e ele vai repetir no seu ouvido como um mantra "Isso vai dar m.". Mas pior que esse é aquele metido a supersafo. Esse é o purgatório. É uma tortura sem fim o sujeito que jura que sabe tudo e que faz e acontece. Você fala uma arte marcial, ele diz que essa não presta e te indica outra na qual ele, por acaso, te conta que é graduado. Você elogia o desempenho do Zé e o chato faz questão de mostrar algum ponto onde o Zé errou. Você traz a informação e ele alega que já sabia e que "não é bem assim", mas daí repete tudo do jeitinho que você acabou de falar! Ele sabe todas as matérias policiais e conhece todos os cursos e treinamentos. Critica todos os manuais, todas as técnicas, todos os livros, todos os filmes. Contesta a doutrina policial francesa, a israelense a americana etc. apenas pelo prazer de contestar e nada mais. Sabe aquele colega que fez uma ponta numa operação badalada e espalha o feito pra todo mundo? Ou o sujeito que esbarrou num grupo tático bacana e diz que já trabalhou com eles? É o que chamo de "policial figurante". E ainda se acha o máximo ao desdenhar dizendo: "Vai aplicar essa téicnica lá na faviela patuvê". Só de pensar meu estômago embrulha. E nem se eu acreditasse em reencarnação esse infeliz me convenceria desse currículo todo que ele arrota ter. Ahtelascá!!! Fecha parênteses!

Discurso de quem cita a mãe que chora no caixão do policial como argumento final. As máximas do Capitão Nascimento: "nunca serão", "pede pra sair", "pega um, pega geral"... Gente, já deu! Juro... que pode ser a Presidenta ali na minha frente, ou o maravilhoso Wagner Moura - o próprio - que se vier com essa droga dessa retórica de novo eu me levanto na hora e vou embora. O cúmulo da combinação infeliz: bermuda surfistinha, pochete, mocassim e um policial armado bebendo e discutindo a questão do desarmamento. É de muito, muito, muito mal gosto. É totalmente cafona! Escrivã alegrinha cheia de sentimentalidades levando cafezinho para o delegadozinho e oferecendo tudo no diminutivo para o chefinho. Pff! Depois reclama...

Ah, já ia me esquecendo! Odeio ter que voltar pra delegacia por puro capricho do meu chefe que não pode me ver feliz. Uma brutalidade porque eu tava numa operação com Jack Bauer... lembram? Mas não vou chorar, pois acabei de receber um elogio escrito pelo chefe do chefe do meu chefe em referência à minha participação naquela operação. Será que é por isso que hoje eu estou assim mais-que-in-su-por-tá-vel?

Chefe... será que eu já posso enlouquecer ou devo apenas sorrir... ou ou ou ou
Não sei mais o que eu tenho que fazer pra você admitir
Que você me adora
Que me acha fo.fa
Não espere eu ir embora pra perceber!

(Letrinha da música da Pitty, com sutis adaptações).

domingo, 15 de maio de 2011

Independência feminina.


Eu, mega agradecida, mando um torpedo para o celular dele:
"Amor, o que seria de mim sem você?"
E ele responde:
"Uma Policial (...) livre, leve e solta".

domingo, 1 de maio de 2011

Vaidade.

Puxa, gente, que chato isso...
SAIU UMA FOTO MINHA NO JORNAL!!!
Sim! Sim! Siiiiiiim!!! Tra-ba-lhan-do!!!
Ahhh, moleque!!!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Preso diz cada uma.

Gente, o que é a polícia no imaginário coletivo? Acho que a resposta a essa pergunta daria uma belíssima tese de doutorado. Acho, não, tenho certeza. Senão, raciocina comigo. Operação lotada de vícios de amadorismo e incorreções sensacionalistas, mas graças a um preso a considerei digna de relato. O coitado não aguentou a curiosidade e perguntou como foi que a gente entrou na casa dele se nem o cachorro latiu. E eu que, em meio à tensão, ansiedade e o estresse normal da coisa toda, nem tinha lá notado a presença do pobre vira-latas, apenas ri, tipo sarcasticamente. Meio tirando onda, sabe como é? E apesar de notar alguma sinceridade na pergunta divertidíssima dele (eu achei), meus colegas não estavam com cara de quem iria convidar o preso a puxar uma cadeira e trocar ideias sobre "entrada em edificações". Pausa. Por favor, tenham em mente que fui treinada pra considerar o preso como a coisa mais perigosa do mundo. Então mantive a postura hamletiana de quem diz "Baby, há mais mistérios entre o céu e a terra do que possa supor a tua vã filosofia". Daí para a maldita arrogância dramática que assola o mundo policial é um pulinho. No entanto, não se dando por satisfeito aquele cara-de-pau de marca maior ainda me larga essa, na maior elegância: "Pois eu sou é fã demais da Polícia (...), cara, vocês parecem uns ninjas!". O jeito foi sair de perto.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sou feita de saudades.


Uma colega distante, uma nova amizade e uma resposta:
Segunda-feira, 4 de Abril de 2011 1:30

"...Poxa fiquei muito feliz e me senti honrada, quando li seu e-mail, enchi o olho de lágrima enquanto lia, e dei um suspiro quando acabou e pensei, 'caraca, ela confia em mim', e isso é o máximo... hoje em dia... você sabe, é muito díficil, você encontrar alguém com quem possa contar, confiar, sorrir e chorar, ser você mesma... e sinto que isso acontece com a gente... então muito obrigada por ter escrito pra mim e pelo que escreveu... pelo desabafo... pela confiança... pela sinceridade... e por deixar eu ser assim presente na sua vida! Amiga... esses pesadelos... estão te deixando triste, né? Isso é ruim... tenta dormir assim tranquilinha... em paz, pensa em coisas boas, momentos felizes da sua vida e ora bastante... mas claro pode ser pela sua 'operacionalidade', mas é também por isso, pelos pesadelos, que você perde o sono ás vezes na madrugada? Espero que isso passe logo e que tenha bons sonhos e acorde e durma feliz sempre... E então... liguei pra você.., porque li aquela mensagem... e deu aquele aperto no peito... a vontade de chorar... de abraçar você... aí pensei... ah, vou ligar pra ela... pra conversar um pouquinho... mas lembra: quando eu tiver incomodando me avisa... E principalmente, quando bater a saudade, a vontade de conversar ou de apenas dizer 'oi... tô com saudade...' me liga, tá!?..."

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mensagem pra você.


Eu vejo ruínas quando olho pra você, sabia? Vejo um lar destruído. Ouço um choro triste. Vejo muitos pratos e copos quebrados e espalhados pelo chão.  Eu vejo uma menina com uma obsessão por agradar você. Vejo-a sendo desaprovada e, especialmente, ouço a palavra "sonsa" sendo repetida de várias formas e maneiras. Eu vejo você entrando numa kombi branca do trabalho cheia de mulheres e vejo você humilhando publicamente a tua família. E entendo porque alguém pode odiar tanto música sertaneja e cheiro de cerveja sem o menor constrangimento. Eu vejo um prato de arroz misturado com gema de ovo. Era um jantar amarelo, gostoso e divertido até o momento em que vejo o jantar da menina voando e se chocando contra a parede da cozinha. Babaca!

Eu vejo você performático fazendo saltos ornamentais no rio. Vejo que você é um dos melhores amigos daquele padre e que você lidera, escreve livros, conta piadas tão bem e tem um monte de amigos. Vejo que você será sempre o super-herói dessa menina porque você bateu tanto no maldito pedófilo que este poderia ter sido dado como morto. Sinto um cheiro de material escolar novo. Vejo você entrando pela porta principal da casa fazendo chuva de notas de dinheiro de verdade! Vejo você fazendo carinho no cabelo da menina, vejo você lutando karatê, nadando, cuidando da sua coleção de discos do Roberto Carlos e vejo que a sua letra, sua pele e seu cabelo são tão bonitos.

Eu vejo uma menina pequena dormindo agarrada ao seu blazer enquanto você cuida das suas urgências irresponsáveis. Tenho tanta pena dessa menininha bem magoada com você. Vejo uma noiva perturbada pensando se ela deve ou não entrar na igreja contigo. Eu vejo uma menina brava, dizendo pra mãe que elas não precisam de nada que venha de você! Eu ouvi ela dizendo que quer que você morra! Mas é claro que ela precisa de você, seu idiota!!! Como é que você não percebe isso?

Domingo você disse que queria ter sido policial na mesma polícia que eu. Você pede pra ver a minha arma. Eu entrego a minha arma nas tuas mãos. Você me faz umas perguntas técnicas e admira as respostas. Você chama o teu filho pra ver a minha arma e explica cerimonialmente o trabalho que eu faço para ele. Você me respeita e eu penso que você... Cara, você nem sabe se eu sou feliz! Você vê o meu filho pela primeira vez e eu já não sei direito o que você pensa. Você me confunde e eu não sei como eu deveria agir. Acho que armaram essa pra mim. Acho que fui atingida! Que droga! E porque essa porcaria dói tanto se você não significa nada pra mim? Você era algo que eu já tinha extirpado da minha lista, da minha vida! Se você me é tão desnecessário porque eu preferia mil vezes ter tomado um tiro?

Eu vejo uma mulher sóbria e dissimulada. Só eu e Deus vemos o quanto ela é frágil. Honestamente? Ela nunca vai entender e não encontra nenhuma justificativa. Nada justifica... entendeu? Nada, nadinha! Ela morre de cansaço, e desânimo, e fraqueza. Há muito tempo ela não tem esperanças no que concerne a você. E agora ela começa a chorar, porque apesar da frieza e indiferença que ela herdou de você, sim, senhor, mais uma vez ela foi atingida.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma mula-sem-cabeça.


O assento ao meu lado estava vazio, então aproveitei pra retirar o casaquinho e o cinto tático. Admito que odeio esse peso todo de equipamentos os quais na verdade a gente raramente precisa usar. E pra achar um terninho cuja parte de cima cubra toda aquela tralha na cintura, é uma novela! Já retirei logo o carregador e guardei em separado para não ser chamada a atenção pela tripulação por causa da arma municiada. Nossa equipe desembarcou no local de destino e fizemos tudo certinho! Para mim a operação foi algo dantesco, porém tranquila - sorte minha - porque quando retornei para a aeronave, feliz da vida, voltando pra casa com aquela euforia toda de dever cumprido, advinha... Cadê a droga do carregador??? No bol-so!!!Senhoras e senhores, percebi que trabalhei o dia inteiro com a arma no coldre completamente limpa, ou seja, zero carregador na arma e zero munição na câmara. Será que dá para imaginar o tamanho do estrago se alguém percebe? Não, não dá. Ah, sim, também notei a falta de um outro equipamento: a porcaria da minha cabeça que não sei onde anda!

domingo, 20 de março de 2011

Papéis.


- Mamãe, sonhei com você essa noite!
- Ah é??? Sonhou o que?
- Que tinha dois bandidos querendo entrar aqui em casa e você prendeu eles!
- Nossa, filho!!! A mamãe prendeu dois bandidos sozinha? E o papai, fez o que?
- Nada, mamãe, porque ele tava dormindo.

Ps.: É oficial que papai voltou a dormir na cama da mamãe, mas ele nem sonha que quando brigaram a mamãe queria virar "caveira". E nem precisa saber, precisa?

sábado, 12 de março de 2011

Por isso.


Bem amigos da rede blog, não é à toa que eu tenho minhas reservas no trato com a imprensa. Nada pessoal, mas a gente que sabe e vê muito mais coisa do que é publicado nos jornais às vezes dá boas risadas das versões passadas para o coitado do telespectador brasileiro. Ou não. Uma colega minha, por exemplo, acaba de se ferrar de verde e amarelo por conta de um jornalista babaca. Deu mole e acabou entregando que era policial e que estava trabalhando. Ele insistiu horrores pra que a moça lhe concedesse uma entrevista. Imagina... Óbvio que não, né! Todavia, não satisfeito e com dorzinha de cotovelo, o jornalista resolveu sacanear. O que pra imprensa inescrupulosa é super fácil. Resultado: tudo indica que ela vai responder na Corregedoria por causa de uma foto! Arrego, hein... Ai, meu blog!!!

terça-feira, 1 de março de 2011

Para aqueles dias.


Se o Papa fosse mulher já teria canonizado a pessoa que inventou o composto "cloridrato de papaverina + dipirona sódica + extrato fluído de Àtropa belladona Linné". Um milagre da medicina que alívia cólicas menstruais. Louvado seja.

Leia a bula. Leia a Bíblia.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Escrivão novinho que se deu bem.


Querida amiga "Novinha",
(por e-mail)

Primeiramente agradeço pela mensagem enviada e peço desculpas pela demora em fazer contato, tentei algumas vezes por telefone mas não tive êxito. Amiga, estou super bem. Como deves saber, fui nomeado para um cargo de chefia quando retornei para "cá". Trabalho no setor "Charlie". Estou tentando fazer um bom trabalho. Estou muito feliz com essa função. A família está super bem, as meninas estão crescendo muito rápido. Estou terminando uma reforma no apartamento, ufa......rs. Gostaria muito de conversar pessoalmente ou então por telefone. Considero vc uma pessoa muito especial. No momento difícil que eu estava longe, vc fez o possível para me ajudar. Não retornei para "aquele outro setor" mas Deus sabe o que faz. Quando vieres aqui na "minha área" venhas tomar um cafezinho conosco. Meus telefones: "2222-2222" - serviço - "5555-5555" - casa (desativado momentaneamente devido à obra) e "8888-8888". Beijão.

Ps.: O que está entre aspas foi adaptado.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sangue novo, suor e lágrimas.


O Guerreiro é divertido, engraçado, irônico e acessível. É muito querido pelo pessoal aqui e tem me ajudado bastante nessa nova equipe. Meio que me adotou e só me chama de "moleca"... Eu não me importo e a gente conversa horas e horas. Ele sabe muita coisa sobre polícia.  Conhece a cidade e as manhas da vagabundagem. Digamos que tenha feito doutorado na "Harvard" policial: as ruas. Ele me explica coisas sobre o fogo, a terra, a água e o ar. Em troca eu o alimento com o meu sangue novo e ele acha graça nesse meu orgulho de ser policial.

Queria abrir a janela a fim de deixar a brisa entrar, mas ainda respiro por aparelhos. Meu coração não sai da UTI. Recolho as poucas verdades que me restam a fim de protegê-las de mim mesma. Não obstante, transpirar é um ato involuntário e o Guerreiro certamente sente o cheiro da carência que transpiro.  Tenho pesadelos com demônios. Poderia discorrer melhor sobre o que tudo isso significa, mas tá ficando tarde e eu preciso voltar. Porque por mais idiota que possa parecer, a melhor parte do meu dia é voltar pra casa com a esperança de que meu amor esteja lá, dizendo que toda essa tempestade passou.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Grampo.


A pobre vítima do "grampo" é uma leitora que me pergunta via comentário não publicado no blog: "Vc tá bem?"

Respondo, comentando no blog dela (não publicado): "Tô, por que?"

Vítima: "Nada, só para saber mesmo, é que deu a impressão de que você estava meio tristinha. Ainda bem que não está!! :)"

Eu: "Não... : ) Tô só um pouco cansada. Estou no banco de trás de uma viatura olhando para a entrada de um prédio e aguardando uma situação acontecer... A gente tá ouvindo música (tem um colega no banco da frente olhando uns papéis...). E daqui a pouco vou ter que entrar dentro do prédio... eu acho. Tem dois colegas meus lá dentro. Mas tá tranquilo. : ) Só uma leve dorzinha de cabeça... deve ser o cansaço e também porque acordei muito cedo hoje. Tô com o sono muito atrasado. : ) E você tá bem?"

Vítima: "Caraaaaaaaaaaaaaaca nao acredito!!!!!!!!!!! Que lindo isso, meus olhos até brilharam agora!!!! Como vc me conta isso assim, na maior tranquilidade, isso pra mim é o ápice!! Achei que estava em sua casa! Então não vou mais te incomodar, tá bom? Quando chegar em casa, descansa bastante, um bjo e cuidado aí pelo amor de Deus PAI!!"

Eu: "Tá bom, linda... A gente se fala... Eu vou parar porque a minha cabeça está piorando e eu tô ficando com vontade de fazer xixi..."

* A publicação desse diálogo foi feita com a devida autorização prévia da Vítima do Grampo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Para Isabella, a belíssima pistola que anda comigo.


Querida parceira, lamento informar, mas hoje você não vai. Isso não é um evento profissional. Pelo menos não é para ser. Sei que não parece, mas mulheres policiais também têm vida particular. Mira bem... percebeu que você está sobrando? Então, por gentileza, abaixa essa pontaria bélico-coercitiva. Hoje você vai ficar aí.

Já sei, já sei. Não precisa disparar para os quatro cantos do mundo que você só quer me proteger. Não pense que eu saio por aí dando tiros no escuro. Apenas acho que não se cultiva um relacionamento armada até os dentes. Essa noite tudo o que eu quero é ter a chance de me sentir protegida nos braços dele. Você diz que ele não tem braços de aço, nem de polímero, mas você não tem nada que analisar o calibre dos braços dele, Bella! Dá licença? Será que eu posso ter um pouquinho de privacidade e ser uma mulher normal alguma vez na vida? Não quero que você fique aparecendo na frente dele assim, à queima roupa. Tudo tem seu tempo.

Tenho notado que seu alvo agora é andar por aí se exibindo, chamando a atenção de todo mundo. Toda suburbana, insinuante, em polvorosa. Que é isso? Você é fogo, hein. Barra-pesada! Foi por isso que meu tio notou que naquela bolsa de mulher havia algo mais e foi mexer contigo pelas minhas costas. Onde já civil?! Pois fique sabendo que a sua sorte foi que ele não efetuou nenhum disparo, porque aí sim, seria o fim da nossa amizade, já que eu estaria provavelmente procurando outro emprego. Não quero ficar brigando com as pessoas por tua causa, Bella. E você complica demais as coisas tem hora.

Não sei por que você mudou de comportamento assim, de uma hora para outra. Nunca duvidei que poderia contar sempre contigo. Lembra na Academia como a minha mão suava e doía por eu te apertar tanto na hora da tensão? Formávamos uma dupla perfeita, inseparável! Chegaram a dizer que nossa relação era baseada no que Freud chamou de inveja do pênis. Era o caramba! Porque inveja foi o que eles sentiram depois daquela nossa importantíssima performance na prova de tiro. E inveja é mais letal que arma de fogo, sabia? Mas agora você anda passando dos limites, Bella não vou permitir que você interfira tanto na minha vida desse jeito. Chega, amiga. Tem momentos em que eu preciso ficar sozinha. E francamente. Me irrita essa sua mania de fazer tanto barulho só pra aparecer. Você anda muito esquentadinha, soltando fumaça pelos orifícios. Exigindo que eu esteja sempre em ponto de bala. Fica fria, Bella, porque resolvido está. Hoje, eu não vou te levar.

Não, você também não vai dormir comigo essa noite. Esqueceu aquele dia que a faxineira deu de cara contigo debaixo do meu travesseiro no dia seguinte? Você assusta as pessoas, Bella. Se enxerga... Não, minha linda, você não é feia. Você é a rainha da bateria, dos artefatos, dos argumentos! É a ultima ratio. Mas você não se ajusta, Bella. Pra começar, o meu vestido é curto. É justo. E justiça seja feita: é muito digno. Hoje, você não cabe nem na minha bolsa, amiga. Coldreia! Isso já está virando uma relação doentia.  Deixa ele me dar segurança essa noite, tá bom? Você bem sabe o que isso representa para mim.

Não, Bella, hoje, definitivamente, não é dia de calça jeans. Não vou trocar de roupa só pra te levar na canela. Não embaça o alvo, por favor! E não vá pensando que vou deixar você me esperando no carro. De jeito nenhum! Não quero te perder! Rouba-se carro todos os dias nessa cidade, sabia? Todo santo d... Se bem que, né? Pensando melhor, vou levar um casaquinho. Sempre sonho que estou desarmada na hora em que mais preciso de você... Guerra é guerra 24 horas por dia e não vou dar uma gatilhada dessas para o azar. Sendo eu uma mulher policial, ora essa, é melhor ele entender que você é a minha grande parceira. Você já faz parte do meu charme, do meu mistério. Pode vir comigo, parceira.Vem. Ele não é desses que têm medinho do perigo.

Ps.: Espero não estar Irritanto Fernanda Young (linda!!!) com esse texto que foi inspirado no estilo dela de escrever.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vida dupla.


Uma das vantagens de ser discreta e não sair por aí divulgando aos quatro ventos onde você trabalha é que a gente pode gritar à vontade ao ver um sapo e quase pular no colo do porteiro do condomínio já que ele não sabe que você é policial. Agora, data venia, aquilo não era um sapo comum. Sabe um monstro enorme e terrível? Igual. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Lá vem...


Pela santa mãe do guarda, que parte de "Eu não quero me envolver com colega nenhum" que ele ainda não entendeu?