Melhor ter sofrido um trote daqueles que demonstram logo o "tipo sanguineo" do "sangue novo" que chega na polícia, a ter que aguentar essa mulher. Mais velha e mais antiga na casa que eu, ela implica dia e noite com meu sotaque, desaprova meu estilo street wear, recrimina minhas convicções políticas, faz piada da minha fé e torce contra o meu time de futebol. Adora me provocar, mas sempre levei em banho-maria e procuro manter distância segura. Finjo que nem é comigo. Em qualquer lugar do mundo isso seria bullying, mas aqui é normal que peguem no pé dos novinhos, ou de onde vocês pensam que veio a frase "Nunca serão!"? Dá vontade de pedir pra sair, mesmo. Só que o delegado percebeu, me chamou na sala dele e perguntou se eu queria que ele interferisse na situação. Imagina! Claro que eu disse que não. E o quê? Delegado se metendo em guerra de agentes? Porém, ele me fez perceber que a situação era mais grave do que eu imaginava e agora consigo entender algumas coisas estranhas que aconteceram. Mesmo assim insisti: "Muito obrigada, chefe, mas meus problemas resolvo eu. Já sou grandinha pra saber me cuidar". Mentira, porque né? Depois que saí da sala dele chorei igual criança sozinha. Agora eu sei... dores que a gente não entende são mais difíceis de tratar.quinta-feira, 27 de maio de 2010
Pede pra sair.
Melhor ter sofrido um trote daqueles que demonstram logo o "tipo sanguineo" do "sangue novo" que chega na polícia, a ter que aguentar essa mulher. Mais velha e mais antiga na casa que eu, ela implica dia e noite com meu sotaque, desaprova meu estilo street wear, recrimina minhas convicções políticas, faz piada da minha fé e torce contra o meu time de futebol. Adora me provocar, mas sempre levei em banho-maria e procuro manter distância segura. Finjo que nem é comigo. Em qualquer lugar do mundo isso seria bullying, mas aqui é normal que peguem no pé dos novinhos, ou de onde vocês pensam que veio a frase "Nunca serão!"? Dá vontade de pedir pra sair, mesmo. Só que o delegado percebeu, me chamou na sala dele e perguntou se eu queria que ele interferisse na situação. Imagina! Claro que eu disse que não. E o quê? Delegado se metendo em guerra de agentes? Porém, ele me fez perceber que a situação era mais grave do que eu imaginava e agora consigo entender algumas coisas estranhas que aconteceram. Mesmo assim insisti: "Muito obrigada, chefe, mas meus problemas resolvo eu. Já sou grandinha pra saber me cuidar". Mentira, porque né? Depois que saí da sala dele chorei igual criança sozinha. Agora eu sei... dores que a gente não entende são mais difíceis de tratar.sábado, 22 de maio de 2010
Não faço a menor questão de ser fofa.
O delegado passa por mim apressado, me entrega um papel com nomes e respectivos números de telefone. Pede pra ligar e cancelar a reunião da tarde. Motivo: viagem. Tá... Pego o primeiro nome da lista: Daniel Inácio (fictício, né, meu povo...). Chama. Mal o telefone toca o sujeito atende.- "Alô". (Voz de homem).
- "Oi, bom dia, o senhor Daniel Inácio, por favor".
- "Quem gostaria?" Ele perguntou. Só disse que era aqui da polícia e ele continuou. "Então você quer falar com o CORONEL Daniel Inácio"?
- "Por favor". Respondi, analisando o esmalte das unhas. E alguém quer saber a patente dele? Pensei.
- "Hummm, só um minuto, vou transferir pra ele". E a ligação caiu... Eu ligo de novo. Essas coisas acontecem. E ouço a voz do mesmo atendente.
- "Oi, falei com você agora mesmo, pedi pra falar com o coronel Daniel Inácio e a ligação caiu". A cor e a textura desse esmalte são realmente fabulosas.
- "Ahhh, agora sim!!!" Comemorou ele. Tirei os olhos do esmalte e ele continuou: "Então você quer falar com o CORONEL Daniel Inácio??? Pois pode falar". Descruzei as pernas, me ajeitei na cadeira com os cotovelos na mesa, franzi a testa e conferi pra ver se estava entendendo direito. Onde é que fica o coronel na hierarquia militar? Não sei. Perguntei pausadamente:
- "Espera... então O SENHOR é o coronel Daniel Inácio?" Olhei de cantinho para o Parceiro que estava lendo alguma coisa. Ele já olhou pra mim rindo... Pisquei pra ele como quem diz "aguarde".
- "Sou eu mesmo. Agora você pode falar, minha filha". Gente, quase não acreditei!!! Será que esse corno pensa que é a rainha da Inglaterra? Pior! Esse sujeito tá se achando no direito de me enquadrar porque eu não o chamei de coronel??? Respirei fundo e a maldade já estava expressa no sorrisinho de um lado só da boca. Eu disse:
- "Ahhmm, não precisa mais não, viu? NÃO É NADA IMPORTANTE, CORONEL? NADA!" E pá! Bati a porcaria do telefone na cara dele, atendendo ao consagrado princípio da reciprocidade muito prestigiado no relacionamento entre as polícias.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Prerrogativas do cargo.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Relatório de missão.
Só posso descrever meu estado como ebriedade profissional. Foi bom, intenso e muito gratificante participar da missãozinha chata, na qual ninguém acreditava, e que por isso mesmo caiu de bandeja no meu colo. E embora um delegado constasse como chefe da operação e houvesse discutido comigo cada ponto do plano, tinha que fazer outras coisas e acabei, por ironia do destino, assumindo o rock n' roll todo. Era eu tentando ensaiar meus passinhos tímidos na imensidão do universo policial. Todavia, o susto foi grande porque a operação evoluiu. Aumentaram o som, as cores e a moral da história. Pelo fato de ter acompanhado tudo desde o início era eu que tirava dúvidas dos colegas no brieffing (pasmem!). Por alguns instantes realmente senti toda a beleza de fazer parte de uma equipe de polícia, tal qual uma peça bem engrenada na força da máquina..., mas ainda é cedo. Segue. Me lasquei de tanto trabalhar e de tanta pressão porque se "tocasse o barata voa" (abafa!) eu não sei nem se saberia por onde começar. Oi, aquela fase de curso de formação acabou, baby. Não tem nenhum instrutor aqui pra tirar a gente do desespero e é terminantemente proibido errar! Não. Claro que meus erros não passaram em branco. Fizeram críticas quanto à "estética da coisa". Ok, não poderia passar sem críticas, mas logo sobre estética!? Se todo o resto estava bem então isso foi um tremendo elogio! Eu acho graça porque era uma missão impossível de dar certo. Mas deu e a causa era nobre! Graças a Deus pude dormir em paz. Hoje, meu coração acordou em ritmo de fé, pronto para novos horizontes, porém antes tenho que lavar essa camiseta suada que por vezes me deixa encharcada de orgulho. terça-feira, 27 de abril de 2010
Jogo dos sete erros (agora com o gabarito).
1 – Nem todo mundo que veste a camisa da polícia é um policial de verdade.
2 – Nem sempre quem está numa aparente situação comprometedora é um bandido.
3 – A polícia (sua imagem, seu poder e seus recursos) não pode ser utilizada para fins outros não previstos em lei.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Agora é a minha vez.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
A fera em questão.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Só as mulheres sangram.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Herói secreto.
quarta-feira, 24 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Pandora.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Admirável gado novinho.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Crime sem castigo.

sexta-feira, 5 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Flashes, câmeras, ação!
Hoje concluí minha rápida participação num trabalho de segurança de uma dignitária. É claro que gostaria de trabalhar nessa atividade sempre que houvesse chance. Sou filha da cultura metropolitana e afinal, quem não quer passar a noite em hotéis caros, frequentar restaurantes e outros ambientes sofisticados, desfilar em terninhos finos e carrões bacanas pela cidade e ainda por cima a trabalho? Porém, vamos conter a empolgação, porque essa atividade é um privilégio para pouquíssimos policiais. Só tapei buraco de alguém que está de férias e adorei ouvir o delegado dizer alguns dias antes da operação: "Manda a Novinha porque eles precisam de uma mulher na equipe". Mesmo assim, tenho a sensação de que acabo de fazer uma prova e estou esperando os resultados. Já era tempo de aprender coisas novas. Talvez pelo fato de ter sido minha primeira experiência nisso, ouvi com humildade os colegas arrogantes e irritados da equipe me fazeram um milhão de recomendações um tanto quanto óbvias. Coisas relativas a protocolo, postura formal e discreta, e dicas como "só fale com ela se ela falar com você ou só fale o estritamente necessário". Enquanto eles falavam eu me imaginava contando piadas pra ela, rindo alto e fazendo imitações idiotas. Mas depois, confesso que fiquei um pouco tensa. Tem todo um glamour, um apelo heróico, uma estética plástica, um belo balé de sincronismo, holofotes, flashes, câmeras... Pude até sentir um gostinho suave de ação! Isso vicia...sábado, 20 de fevereiro de 2010
Big girls don't cry.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Neurose.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Pescador e o inferno de Dantas

Na superfície
De qualquer manhã
As palavras
De um livro
Sem final!
PORTARIA No. 007/2010-COGER/DPF
sábado, 30 de janeiro de 2010
Mulher bunda-mole
Fernanda acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, tira pára-quedas e calça branca porque no meio de uma reunião com o titular, ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dor de ouvido e febre.
Tentou em vão achar o marido pelo Nextel, pelo celular e em última instância pelo rádio da polícia e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo titular que acabava de assumir a delegacia, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado. Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor. Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um agente lhe trouxesse a porcaria dos documentos e não foi nem com a viatura, foi com sua motocicleta que rateava e falhava de um cilindro. Argh..!
Tomou uma merda de banho, deu a droga do jantar para as crianças, fez a porcaria dos deveres com os dispersos e botou os monstros para dormir.
Artur chegou puto de uma reunião na sede do departamento, reclamando de tudo. Jantaram em silêncio.
Depois se viu pulando sobre o tórax dele até quebrar todas as costelas! Com um alicate de unha arrancou um a um todos os seus dentes depois lhe deu um chute tão brutal no saco, que voou espermatozóide para todos os lados! Pobre do Artur...
Em seguida usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas. Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou. Não ia valer a pena, não estamos nos EUA, não conseguiria uma advogada feminista caríssima que fizesse sua defesa alegando que assassinou o marido cega de tensão pré-menstrual... Resolveu agir com sabedoria.
- A bunda ainda está mole. Só volto quando estiver dura. Um beijo da preguiçosa...
(Extraído do livro: Este sexo é feminino/Patrícia Travassos e adaptado para o contexto policial por Marco Vinícios Ferreira, do blog Ligeirinho, que gentilmente sugeriu sua publicação no Mulher na Polícia).









