sábado, 4 de maio de 2013

Ingresso para o filme errado.

 
Chegamos a essa cidade para uma força tarefa numa missãozinha besta do caramba e o pior é que estamos aqui voluntariamente. Aquela sensação de que você comprou o ingresso para o filme errado. Tem coisa mais importante pra polícia fazer! Enquanto nos exploram a gente grita: diária! Lá no trabalho, numa sala repleta de cosplayers o melhor conteúdo que encontrei foi no meu livro (obrigada, Ernest Hemingway). Olha só, não é que eu queira discutir o "aumento da reserva de mercado", mas nas conversas por lá só rolam histórias mentirosas, piadas sem graça e reclamações inóquas... Não sei como podem ter tanto pra contar e nada pra dizer. Coisa irritante! Um colega nosso, antigão, tombou ontem por excesso de álcool na veia e foi parar no Serviço Médico. O que vou dizer de um cara cuja esperança é que com a reestruturação da carreira todo antigão um dia vai chefiar uma delegacia? Nem o futebol conseguiu iludir tanto as massas! Proponho um teorema paradoxo: ele bebe porque não progrediu na carreira como gostaria; ou ele não progrediu na carreira como gostaria porque bebe?

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quarto de hotel.


Sasha Grey in The Girlfriend Experience
 
Ela é do meu concurso. Estamos dividindo o mesmo quarto de hotel nessa missão. É bom que vocês saibam que a minha história na polícia é um "Conto de Fadas" perto de "A Hora do Pesadelo III" que foi o que ela passou na primeira lotação.  Teve uma depressão ~daquelas~ logo que chegou lá, e quase levou uma punição por conta disso (depressão é um motivo alegado com alta frequência nos pedidos de remoção, logo, atrai certa desconfiança); se envolveu com o cara errado; sofreu um acidente sério, não necessariamente nessa ordem, mas enfim, ela se machucou bastante. Agora parece que o pior já passou e ela me conta tudo, embora mantenha um ar longínquo, exceto quando chora. Eu gosto dela. Ela conhece todas as novidades sobre cremes, makes e produtos para o cabelo. Tornou-se meu referencial teórico nessa área.  Está fazendo uma pós em Direito Processual Civil (autopunição? rs). Contudo, o que ela não sabe, nem precisa saber, é que eu sou amiga da mulher do cara por quem ela ainda sofre.

sábado, 20 de abril de 2013

Voz de prisão.


 
Acho que a parte de lidar com preso é a mais difícil pra mim. A primeira vez que entrei numa carceragem não consegui ficar lá nem cinco minutos. Quase passei mal. Havia uns cinquenta presos atrás das grades de umas dez celas, talvez. Não me lembro direito, até porque eu não conseguia sequer olhar diretamente pra eles. Pelo contrário, os olhares lascivos deles é que me fuzilavam por todos os ângulos possíveis. Me sentia como um frango assado desfilando num canil. Eu tinha duas opções: ou encarava de volta até o preso olhar pra outro lado; ou fingia que o preso não era gente, mas um pedaço de carne ignorável (atitude tomada por 99% da sociedade).
 
Resultado: dei meia volta e saí da carceragem. Eu? Encarar um preso??? Melhor não, porque se não funcionasse eu iria fazer o quê? Entrar na cela e bater nele pra ele nunca mais olhar para uma mulher policial daquele jeito? Gente, eu morro de timidez e não consigo encarar nem quem eu tô paquerando... E se o preso sorrisse pra mim e eu sorrisse de volta? Ferrou!
 
A-gente não pode se dar ao luxo de ter conflitos interiores. É resolver logo e cumprir a missão.
 
Então, uma grande parte de nós opta pela segunda opção. É por isso que tantos policiais são marrentos. Por que você acha que polícia adora óculos de sol? Mas Renato Russo estava certo: "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira" e toda prisão que faço, sem exceção, é uma tortura. Não dá pra ignorar que ali tem um ser humano. O cheiro, o choro, a textura da pele, o olhar deles é de um ser humano, igualzinho a mim. Mas como um outro ser humano comete um crime desses?
 
Por mais que eu evite conversar com o preso e saber menos, pra sofrer menos... não adianta. Outro dia, dei um sermão de meia hora num preso, porque, durante a busca domiciliar encontrei um Certificado de Reservista onde constava que ele havia servido a Força Aérea Brasileira. Em suma, eu queria saber do preso como ele poderia ter mudado de lado depois de todo o treinamento militar que ele recebeu. O preso chorou tanto de arrependimento... que bem poderia me acusar de tortura psicológica. Agora é tarde, soldado.
 
Recentemente prendi um pastor evangélico que estava fazendo a coisa certa, porém da forma errada. Na delegacia ele pagou fiança e foi embora. Não sem antes passar por mim e dizer: "a Bíblia diz que feliz é aquele que for preso pelo nome de Jesus". Eu não vou discutir as leis de Deus com um pastor que desconhece as leis dos homens. Não sou eu quem faz as leis, Reverendo. Eu cumpro a lei, por mais idiota que ela seja. E não fui eu quem colocou o Tiririca lá... Mas se não estou enganada, quando Jesus estava sendo preso, Pedro, que parece que era meio metido a segurança particular, sacou sua espada (é galera, São Pedro andava armado!) e feriu a orelha do agente que estava cumprindo o mandado de prisão!!! Não sei o que aconteceu com o agente na hora, se desmaiou, se a dor tava demais... O que sei é que, contrariando todas as normas de segurança, ele deixou o preso (Jesus) tocar na orelha dele e isso sarou o ferimento na hora... 
 
Fica a mensagem que serve tanto para os policiais feridos quanto pra quem me julga. Pra mim, quando Jesus disse aos religiosos "quem não tem pecado atire a primeira pedra" era como se dissesse "não vai subir ninguém", do Capitão Nascimento. Porque no fundo, somos todos iguais, o que nos diferencia é o toque de Jesus.

sábado, 6 de abril de 2013

Não me representa.


 
*AGENTE POLICIAL NERVOSA* entra na sala: Quando a gente usa as algemas tem que justificar para o Supremo. Quando não usa tem que justificar para os colegas. Me encanta a pessoa que reclama da falta de liberdade de decisão criticando a liberdade de quem decidiu diferente. Wake me up quando a militância das algemas ends.

sábado, 23 de março de 2013

O vestiário feminino.

Sabe o que as mulheres policiais mais fazem no vestiário feminino? Choram. Choram porque querem um amor; choram porque querem outro amor; choram porque não são reconhecidas; porque não são correspondidas; choram quando não conseguem atingir as expectativas de todo mundo; choram quando não querem corresponder às expectativas de ninguém; choram porque não conseguem conciliar vida pessoal e trabalho; choram porque se sentem culpadas;  choram de raiva; choram quando as tratam diferente; choram quando as tratam igual; choram quando querem o que não têm; choram de medo de perderem o que têm. As mulheres policiais também choram.
 
Chegou ao meu conhecimento de forma extremamente desagradável que há comentários a respeito de um suposto caso que eu estaria tendo com o meu chefe. Que maravilha, né? Era só o que me faltava. Tenho ódio de mim mesma quando me importo com essas questões xexelentas, mas é que fico preocupada com as outras pessoas envolvidas! Desagradável. Tanto, que abri o jogo com meu amor logo e contei tudo o que estava acontecendo.
 
Por que é tão difícil digerir o fato de que uma mulher pode trabalhar bem na policia? Quando não acham nada pra falar mal do seu trabalho, adotam um discurso pronto da marca mais vagabunda existente no mercado: fazer fofoca da sua vida pessoal. O resultado são estas pérolas do pensamento evacuadas: "Tem que ter algum motivo pra essa novinha ter sido escolhida pra trabalhar na equipe do Roger"; "Por que você acha que tanta gente naquele setor já foi substituído e ela não"; "Por que será que o Roger tá dando as melhores missões pra ela?"; "Por que o Roger protege a Novinha até na hora de pagar a multa que ela recebeu?".
 
Até agora não acredito que me dei ao trabalho de fazer uma postagem sobre isso...
 
Meu benzinho sabe quando eu fico abatida com alguma coisa. Sabe que eu não gostaria de ter que pedir pra sair do setor do Roger, mas também sabe que eu não seria capaz de permanecer lá sabendo que ele se sente de alguma forma desconfortável com uma situação dessas. Deixei pra ele decidir. Não sei se o Roger tá sabendo desses comentários e também não vou perguntar pra ele. Até porque agora isso também já não vai mais ser problema meu. Meu bem já disse que se toda vez que eu tiver esse tipo de problema eu pedir pra sair... vai ser fogo, né? E ele tem razão!
 
Se alguém extraiu alguma lição útil desse episódio tosco me avisa, porque eu não penso em mudar um til no meu comportamento por causa do que aconteceu. Não vou deixar de ser mulher pra evitar ser alvo de fofoca. Aliás eu já tô cansada desse suposto dilema de gênero na polícia "feminilidade versus cargo de autoridade". Vaskatar! Parece até que ser mulher, ou melhor ser feminina exclui a competência... 
 
Ao contrário do que pensa quem tá de fora, nem todas as mulheres bonitas que vejo na polícia querem fazer uma carreira levando vantagem em cima de seus atributos físicos. Vejo tanta menina na polícia que parece ver na própria sensualidade um problema. Outro dia mandei um abraço para um professor da Academia por intermédio de uma colega e ela respondeu pra eu mesma fazer isso porque o professor era casado... Quequéisso, gente!
 
Sério! Incrível, mas eu até arriscaria em dizer que parece que quanto mais feminina, delicada, sensual, bonita é a menina que quer trabalhar sério na polícia, mais medo ela tem de não ser levada a sério! Que praga! Será que eu é que estou errada? Porque pra mim, quanto mais preocupada com essas questões menor é o cérebro da mulher. Quer saber? A preocupação em ser respeitada é tanta, que muitas policiais dentre as que querem muito fazer um serviço de excelência aqui dentro, chegam ao ponto de querer meio que compensar suas características femininas com a adoção de um estilo masculinizado, o que imprime nelas uma imagem mais agressiva do que as outras colegas reconhecidamente delicadas, femininas, sensuais. O que elas não percebem, ironicamente, é que junto dessa imagem agressiva acabam demonstrando um comportamento grosseiro, irritadiço, arrogante que gera maior aversão e antipatia ainda dos colegas e superiores, tornando-as naturalmente evitáveis e menos provável sua progressão na carreira. Adianta?

domingo, 3 de março de 2013

Investimentos.

 
A diferença pode estar no fato de que eu vim de família pobre, né? Ganhava um salário mínimo por mês. Mas aquela empresa tinha um dos melhores planos de saúde que conheço e pagando um pouquinho a mais incluí minha família toda. Meu bem já está trabalhando de novo. Passou aquela depressão maldita. Já saímos do aluguel. Compramos nosso apartamento e, claro, estamos pagando as prestações. Também trocamos de carro. Faltou um pouco de dinheiro mas pedimos emprestado ao meu tio à época, e agora já está pago! Ajudo lá em casa sempre que surge algum imprevisto e contribuo com a faculdade da minha irmã, com muito prazer. É o mínimo que eu posso fazer como retribuição à força que ela me deu quando eu vim pra cá.  A minha irmã carrega água no jacá por mim, se eu precisar. Além disso, eu sei bem o que é não ter grana pra pagar a faculdade. Mesmo trabalhando em projetos sociais pra ganhar algum desconto nas mensalidades, às vezes atrasava, e também faltava grana pra pegar ônibus, pra lanchar, pra almoçar. Livro? Esquece... Praticamente morei na biblioteca estudando pelos livros da Reserva. E o peso em não poder decepcionar? Por isso que eu brinco com a minha mãe hoje, dizendo que ela fez o melhor investimento da vida dela: ela investiu em mim. Enfim, não posso reclamar de jeito nenhum! Deus é o meu Pai e ele tem me dado muito mais do que preciso. E quando olho para os lados, tenho consciência de que o que recebo é muito mais do que mereço. Então, se eu for parar pra pensar, já tenho motivos acumulados pra comemorar pela vida toda e o que vier é lucro.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Polícia na Favela


Pela primeira vez na vida subi uma favela ("não-pacificada"). Estávamos dando proteção aos agentes de outra instituição pública que precisavam subir lá pra realizar uma tarefa. Viaturas, armamento pesado e indumentária ostensiva. Experiência inesquecível! A propósito, acho que Isabella está apaixonada pelo Bush, um Fuzil AR-15 que tem andado com a gente. Uma gracinha! Encaixa certinho no corpo, é leve, super confiável, bonitão, imponente e aquela bandoleira lhe confere um charme todo especial! Só é um pouco nervoso, ele. Quando irritado... tsic, tsic, tsic, sai da frente, porque o estrago é grande.
 
Dia desses houve uma operação policial de tráfico sanguinolenta nesta mesma favela, da qual não participei. Houve confronto, tiroteio e tal. Não sei se voltar lá nesse contexto seria melhor ou pior. Pra ser bem sincera, eu não entendo nada de favela e nem tenho treinamento adequado para operar em favela.
 
Se eu tive medo? Tive. Especialmente no momento em que soube da missão. Medo e inveja do colega escrivão que ficaria na base, pois só começaria o trabalho dele quando a gente terminasse o nosso. Aliás tenho mais medo de não ter medo, do que das causas do medo em si, porque o medo é parceiro. Ajuda a gente a continuar vivo. Só que este foi um medo diferente que eu não conhecia até então.  Eu não sei não, mas tenho a impressão de que estou me acostumando com esse negócio de correr riscos, tanto que o medo "parece" não ter mais tanto efeito. Sabe o que é ter plena consciência de que você vai cumprir missão na "Faixa de Gaza" mas não dá tanta importância ao fato em si? É, porque "dar a devida importância ao fato em si" no meu caso, significa se trancar em alguma cela da custódia na hora da saída e engolir a chave repetindo o mantra: "Não vou, véi! Nem de blindado, véi!".
 
Mas fui. Não chorei. Não desmaiei. Não tive nenhum desarranjo intestinal (ocorre bastante, nas melhores polícias). E deu tudo certo. Ao mesmo tempo que foi super rápido demorou uma eternidade. Quando retornamos notei que o mundo continuava igual. Aquilo tudo lá, não foi nada demais. Não deu no jornal, não houve faixa de boas vindas na recepção, ninguém nos deu os parabéns... Ora, policiais arriscam as suas vidas todos os dias. Onde está a novidade nisso? A maioria dos próprios colegas nem ficou sabendo que nossa equipe esteve lá. Só houve um novinho que me encontrou à noite malhando na academia e perguntou bastante interessado. "E aí, Novinha, como é que foi lá na favela". Eu sorri pra ele e não sei por que, mas até eu respondi sem muita empolgação: "Tranquilo".

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Hot weels.



Apareceu uma multa de trânsito referente a uma das viaturas (e que viatura!) da nossa sessão. Só descobrimos o autor dos 122km/h (via de 80km/h) quando verificamos os registros do fatídico dia... Nem eu acreditei... "Gente... essa placa não era fria???". Tá bom, não precisa responder. Péssimo exemplo! Mas a surpresa do meu chefe e consequente mudança no seu tom de voz, quando viu que a bronca era minha, foi diretamente proporcional à nossa surpresa por ele ter dito pra eu não me preocupar que ele resolveria isso lá em cima... Não me olhem com essa cara, que eu não tenho nada a ver com isso. 
 
Ps.: meus agradecimentos a Spartanski pela dica da imagem.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Inaptidão.

O delegado Pedro Paulo Pontes Pinho, da 9ª Delegacia de Polícia (Catete) do Rio de Janeiro usou seu perfil pessoal identificado como “Polícia e Poesia” no Twitter nesta segunda (21) para criticar parte de sua equipe de funcionárias, dando a entender que, para ele, as mulheres não têm a mesma aptidão que os homens para o trabalho policial. O machismo saiu pela culatra e a chefe de polícia Martha Rocha depôs Pinho do cargo. Em seu lugar, coincidência ou não, entra a delegada Monique Vidal, lotada até então na 13ª DP (Copacabana).
 
Postado por Daniela Novais 11:36:00 22/01/2013

P.S. - E quanto mais o delegado tenta se retratar, mais fede.

 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Constrangimento.

 
Tive que dividir um único alojamento com um outro colega e não tinha outro jeito, além do alojamento ele ainda fez a gentileza de me emprestar a sua própria roupa de cama. Revezamos em turnos madrugada a dentro. Enquanto eu dormia ele ficava atento no escritório e vice-versa.

Antes que o movimento feminista xiita me use como ponte para ideologias, explico que foi uma situação de emergência. Quero ser honesta e dizer que não é normal isso acontecer na minha polícia. Pelo contrário, o pessoal aqui costuma, na medida do possível ser sensível às questões femininas, inclusive no que tange à maternidade. Essa situação ocorreu fora da minha base, onde, inclusive a chefe do serviço é uma delegada, que não deixaria, propositadamente, uma situação dessas ocorrer sob seu comando. Não sou obrigada a aceitar esse tipo de situação, mas também não sou leviana. Claro que eu poderia simplesmente telefonar pra ela e dizer, "Chefe, não tem condições de dormir aqui, então acione o sobreaviso". Contudo, é esse o tipo de atitude que angaria a antipatia dos colegas do sexo masculino, muitas vezes. E 99,99% dos chefes operacionais são homens. Posso estar errada, mas nesse caso específico, sou adepta da política de que a gente pode ceder um pouco aqui pra ganhar mais lá na frente.
 
Pra encerrar essas explicações chatas porém necessárias, cabe ainda ressaltar que no local onde estou lotada, onde trabalho normalmente, existe uma suíte relativamente confortável só pra mim, porque sou a mulherzinha do grupo, enquanto todos os outros  policiais, mais administrativos e outros dividem as instalações reservadas para os homens.
 
Voltando ao pernoite, se serve de consolo, o cansaço é um opióide útil nessas horas, e me fez esquecer rápido das preocupações, inclusive com a de higiene do lençol e da minha própria roupa. Só tirei o calçado pra dormir, o resto era a roupa com a qual passei o dia. A-pa-guei. Tivemos que deixar a porta do quarto destrancada porque não tinha chave e tive que entrar lá quando ele estava dormindo pra usar o banheiro sem fazer barulhinho. Mas o mais constrangedor, mesmo, foi a piada que ouvimos do atendente da companhia aérea que trabalhava próximo, e que veio falar com a gente no dia seguinte, enquanto tomávamos café numa lanchonete ali perto: "Parece que a noitada foi boa, hein, pessoal?". Lembrei-me de ter imaginado a fala do meu pai sabendo de uma coisa dessas "Mas minha filha o que as pessoas vão pensar". Respirei fundo e não respondi, apenas fiz aquela cara de poucos amigos, porque se eu der corda esse idiota vai o quê? Perguntar onde é o final da fila ou gritar "Próximo!"? Mas pra minha sorte, o colega soube responder adequadamente, o que me deixou altamente impressionada. E o indivíduo, após recuperar o fôlego, pediu desculpas pela falta de respeito.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Imaturidade operacional

  
 
Mais um colega da minha equipe será substituído essa semana. Perdeu a confiança do chefe, pois além de descumprir uma ordem sua, ainda mentiu a fim de encobrir um erro e, pra completar, quase leva junto um outro colega nosso aqui. Ou seja, falhou feio e como já era de se esperar o chefe não teve misericórdia humanitária.

Vou chamar esse colega de "Mestre" porque ele era praticante de artes marciais, adepto dessa filosofia oriental de serenidade, disciplina, respeito e hierarquia. Novinho, também, e pra mim era um cara que tinha tudo pra ir longe. Gostava de ouvir as teorias "wonderequilibrium" dele. Mas de que vale a teoria se não tiver aplicação prática, né?
 
Ocorre que o "Mestre" andava criticando muito, nos bastidores, as exigências do chefe no que tange às regras, à checagem diária dos itens de segurança, à realização correta de vários procedimentos de verificação... Suas observações tinham um ar de quem se acha muito charmoso, muito inteligente, muito hype pra obedecer tantas ordens sem contestar. Respeito a opinião do colega, mas sinceramente, quem acha que tá errado que apresente uma proposta melhor. Eu, por exemplo, não me vejo tão alta-performance a esse ponto. Não tenho essa bagagem toda, essa maturidade operacional pra fazer críticas plausíveis às determinações da chefia. 
 
Pois é... cansei de ouvir o "Mestre" alardeando flácida e prosaicamente  que "Isso é besteira", "Pra quê, aquilo?", "Tal coisa não tem necessidade", "Paranóia daqui", "Isso nunca vai acontecer de lá"... Bom, aconteceu e lamentavelmente foi uma vergonha para o colega e um vexame para a equipe. Um verdadeiro fiasco.
 
Não estou julgando ninguém, estou apenas tentando administrar o que aprendi. Até porque, tenho plena consciência de que, normalmente, doutor, quem fala excessivamente, quem demonstra prazer em criticar, meritíssimo, quem adora colocar o dedo na ferida dos outros, excelência, é aquele que só tem teoria (quando tem, né?) e não tem a prática. O que é um baita farisaísmo tardio. Na minha área de atuação na polícia, quem tem a prática sabe que todo mundo erra, sabe que as missões nem sempre são compatíveis com nosso nível de maturidade e treinamento e também sabe como é difícil ter que obedecer a um milhão de princípios em uma única atitude, o que não nos exime das consequências e da responsabilidade por nossos atos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Voltar pra casa.


Todo mundo sabe que não pode misturar trabalho e vida pessoal, mas às vezes isso simplesmente não funciona. Acredite em mim, tudo o que qualquer policial quer é voltar pra sua casa no final da missão Tive sede do beijo deles todos os dias e todas as noites. No entanto, me parece humanamente impossível você passar tantos dias profundamente submerso naquela violenta pressão lá no fundo do mar que, ao voltar, sua respiração simplesmente não se adapta de imediato às condições normais(?) do ar da superfície. É como se não tivesse acabado. Acho que é isso o que está acontecendo comigo. Sonho to-do-san-to-dia que ainda estou lá e acordo com todos os sintomas de quem ainda não voltou.  Tento camuflar esse desajuste, mas a natureza humana é implacável e as pessoas parecem notar. Querem conversar... E eu queria tanto expressar exatamente como é esse mergulho, mas ninguém ao meu redor parece entender, o que me deixa um pouco irritada, frustrada. Como se tivessem mexido nas minhas coisas enquanto estive fora.

 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Vida longa!


Foto: Portal da Academia Nacional de Polícia

Depois de ter assistido à cobertura completa da formatura dos novos Agentes e Papiloscopistas de Polícia Federal no Blog da Regina, parabenizo efusivamente a todos os Novinhos Federais que demonstraram seu valor no certame policial mais disputado do Brasil, que ora chega ao fim (finalmente, né!?!).
 
Nas palavras do Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, o Delegado de Polícia Federal José Mariano Beltrame, presente à solenidade de formatura, a profissão policial é "Uma profissão fantástica! Que pode promover lágrimas, mas também pode promover sorrisos. (Pode) Fazer em uma ação com que uma população inteira se orgulhe de ser brasileira..."
 
Tanto isso é verdade que um desses alunos já me fez chorar (e muito) num misto de orgulho, vibração, alegria e esperança nessa nova geração de policiais. Infelizmente não sei seu nome... muito menos se era do curso de agente ou de papiloscopista. O que sei é que um dos alunos que se formou no último dia 14 na ANP, entrou com um recurso junto ao setor competente naquela casa de ensino questionando a sua nota numa das provas de tiro. Até aí nada de novo, haja vista que o curso de formação da PF ainda é uma mera fase do concurso público, além disso a classificação geral dos alunos define a ordem de preferência na escolha da lotação. Mas o que este aluno pleiteava era a alteração de sua nota PARA MENOS.  Isso porque na hora da digitação, algum servidor da ANP equivocou-se digitando o valor para mais...
 
Assim, neste terceiro aniversário do Blog Mulher na Polícia, the Oscar goes to esse Novinho que como tantos outros policiais anônimos estão aí brigando para fazer um trabalho honesto, limpo e de qualidade na polícia brasileira. Mandou muito bem, garoto!!!
 
Quanto a você, querido leitor, mais uma vez o meu agradecimento pelo brilho todo especial que você confere ao Mulher na Polícia e uma surpresinha de aniversário! Quero falar com você! Deixa seu e-mail e número de telefone (fixo e sem identificador de chamadas - olha a sacanagem, hein!) no comentário. Prometo que não publico e que vou telefonar para os três primeiros leitores que deixarem seu número aqui pra mim.
; )
 
Muito obrigada! Você é o(a) melhor leitor(a) que qualquer blogueiro(a) poderia ter.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Processo terapêutico antioxidante.

Ainda não é um novo slogan oficial, mas é preciso redobrar a cautela. Vim cumprir uma missão num local longe pra caramba de onde moro! Não conheço o chefe direito; o cenário é totalmente diferente do que estou habituada a trabalhar; tem uns colegas esquisitos aqui... Redobrar a cautela é preciso.

Em determinada altura desta missão eu tinha um alvo bem pertinho. Uma oportunidade de ouro, e concluo: "É agora ou nunca!" (exploro essa frase desde meus sete anos de idade). Mas aqui na polícia existe um negócio chamado hierarquia, então, com todo cuidado do mundo, falei com o meu chefe nesta missão, outro Agente de Polícia antigão, que achou melhor eu conversar com o Delegado Papa Fígado. "Certo", eu disse. O colega não me conhece, não vai colocar a mão no fogo, por mim, né? Tudo bem!  Porém, o Delegado Papa Fígado, não estava na área, e seu substituto era o Delegado Ponta Mínima.  Falei com este, expliquei tudo direitinho e disse pra ficar tranquilo que eu tinha tudo sob controle. O delegado me pareceu super light, nem questionou nada. "Vai com Deus" foi o que ele me disse e eu fui com Deus e os anjos!
 
Uma semana depois eu retornava àquela base, satisfeitíssima. Contudo, já na entrada do inferno um colega avisou. "Novinha, você tá f." (Perdão. Eu detesto e evito expressões inadequadas, mas foi o que ele disse). Uepa!!! Que foi que eu fiz? Pensei e perguntei: "Tô f. por que?" O colega respondeu: "porque o  Delegado Ponta Mínima não segurou a tua bronca. Disse que não sabia de nada! E o Delegado Papa Fígado quer o seu fígado com sal e pimenta-do-reino no prato dele hoje! Ele quer falar com você agora"! Agora? Fígado cru não é tóxico?
 
Deixe ver se entendi... fui, fiz, aconteci, tirei ótimas fotografias, curti muito o Nirvana Policial e voltei sem problema algum, como eu disse que seria. Não fiz nada, absolutamente nada ilegal, tampouco imoral!  A manobra era arriscada, não nego, por isso pedi permissão aos meus superiores. Vou responder bronca por quê, então? Ocorre que, para o Delegado Papa Fígado o espírito empreendedor é arriscado demais, é isso? Mas eu jurava que ele era super aventureiro. Aquela lotação dele é pra quem é muito aventureiro e empreendedor. Né, não? Me enganei... Quando chegou e soube onde eu tinha ido, gritou de dentro do gabinete: "quem autorizou essa manobra maluca???". Pra você ver onde realmente mora o perigo, fiquei sabendo que, neste momento, o Delegado Ponta Mínima, ouvindo os berros do chefe, recuou dizendo que sabia da manobra,  mas porque eu apenas havia "comunicado" que a realizaria. Ou seja, o covarde negou que houvesse autorizado verbalmente o procedimento.
 
Meu fígado é tão saudável, porque eu o entregaria de bandeja pra um delegado? Sou egoísta? Não. Mas, em princípio, só vão tirar meus órgãos depois que eu morrer. Esse foi o combinado. Por isso conversei demoradamente com o Agente que era meu chefe naquela missão pra que eu pudesse pelo menos entender aquela freak-histeria do Fígado. E ele não só me explicou direitinho o que eu precisava saber (há focos de um processo terapêutico antioxidante pós-greve acontecendo no órgão, Loreal), como também me orientou sobre como me defender. Ótimo! Então é assim que funciona? Maravilha. Daí liguei para o Roger Murtagh, em quem realmente confio, e falei exatamente o que aconteceu. Ele me deu um puxãozinho de orelha porque de fato era muito arriscado. Mas disse que o Ponta Mínima era um "Descentende de Profissional do Sexo" (Chato isso, pois o que essa senhora teria a ver com essa situação, né?). Aproveitei esse momento e disse pra ele o que estava pensando em fazer. E o Roger concordou, porque era a única saída.
 
Gente! Se eu disse que dava pra ir, era porque realmente dava pra ir, oras. Eu garanti que tinha condições de fazer e fiz. Porém, o Papa Fígado ficou estranhamente procurando qualquer coisinha que pudesse justificar seu animus puniendi. No entanto, para a frustração dele, o único erro que cometi foi ter confiado em alguém que eu não conhecia e não ter exigido uma autorização por escrito. Coisa de novinho inexperiente, mesmo. Fala logo! Mas falando no idioma da região, esse Delegado Ponta Mínima "cutucou a onça com a vara curta". Olha... definitivamente eu vim pra ajudar, mas não-me-pro-vo-ca... porque juro que não tenho o menor interesse em me indispor com delegado lotado há décadas no inferno do mundo (isso não é problema meu), portanto, tento resolver tudo pelo social, da forma mais ética e tranquila possível,  mas se eu tiver que chegar ao ponto de "escrever" aí eu vou arrebentar com o seu sistema. Vou dar as costas e voltar pra casa dançando o moonwalk sem olhar pra trás.  Foi o que fiz.
 
Ao entrar no confortável e intimidador gabinete do Papa Fígado, fui mansa, com toda a humildade do mundo e antes de qualquer coisa já cheguei pedindo desculpas pelo transtorno que causei. E o fogo do inferno nos olhos caramelados dele? Eu, hein... Mas antes que ele me respondesse, deixei o meu relatório na frente dele e fiquei de cabeça baixa. Ele tava vermelho de raiva quando começou a ler. Então passei a observar cada minúcia de suas feições diante do FMEA (Failure Mode and Effect Analysis). Alguns instantes depois ele se mostrava visivelmente incomodado com o nó da própria gravata. Eu? Nada! Fiquei caladinha e quietinha no meu canto o tempo todo. Mais alguns instantes e ele começou a respirar fundo. Parecia pensativo a procurar uma tangente. Depois coçou o nariz, limpou a garganta, recuou no encosto da cadeira e, então, ao terminar de ler o documento seu semblante já era outro. Olhou pra mim por cima dos óculos, e apenas disse, "Tudo bem, Novinha, eu entendo que você não foi devidamente orientada e por isso eu vou mandar arquivar esse documento, mas da próxima vez...". Sei, agora você quer arquivar, né??? Bonito esse seu "espírito de porco corpo"! Você não vai me punir porque sabe que vou levar seu substituto farisaico junto, né? Pensei, enquanto ele proferia seu discurso redundante sobre a reiteração de seus valores medíocres. Respondi: "Sim senhor, chefe, parece que houve um sério mal entendido, né?". Ele disse pausadamente: "É, eu vou resolver isso aqui, e você já pode ir, tá?". "Obrigada, se o senhor precisar de mais alguma coisa eu tô à sua disposição". Apertei a mão direita dele e, de esquerda, apresentei-lhe outra cópia do relatório, dizendo: "Só assina esse recibo aqui pra mim, por favor?". Momento em que ele me olhou no fundo dos olhos por alguns eternos segundos. Ele tinha acabado de receber uma inesperada granada sem pino. E agora eu já o encarava na mesma proporção. "Claro!", ele respondeu ameaçando um sorriso cínico.  Assinou o documento e me entregou.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mamãe se achando.


Indiozinho apontando pra TV, enquanto passava um programa que retrata a vida de quatro mulheres policiais: "Olha lá a mamãe!".

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Estado de carência.


Ando cheia de uma tal espécie de carência que até o cãozinho fofo que pulou nas minhas pernas hoje de manhã sentiu pena de me deixar correr sozinha os 6 km e me acompanhou ida e volta. Cachorro pega essas coisas no faro. E eu tentando vender o contrário.

Pra ser sincera, não tem sido nada fácil ver meus vínculos afetivos se perdendo na distância de morar longe da minha família e dos meus amigos antigos. Me sinto como uma foto guardada, da qual só se lembram quando alguém a encontra fortuitamente. Já fiz terapia pra entender essa minha dor de ausências. No início a psicóloga elogiou minhas respostas honestas (honestamente? Com a grana que eu tava gastando eu mentiria pra ela pra que, né?!). A psicóloga queria ser minha amiga. Devo despertar sentimentos maternais nas pessoas, porque ela achava que deveria cuidar de mim e me dar broncas. Um dia, na terapia ela me deu uma bronca terrível, até aí tudo bem porque eu mereci, mas ficou visivelmente sensibilizada quando desatei a chorar. Sentiu pena de me deixar chorar sozinha. Cobri o rosto com as mãos quando ela puxou sua cadeira pra perto da minha, tentou me abraçar, mas eu não queria abraço. Psicóloga é psicóloga; amiga é amiga; mãe é mãe. Mesmo assim, me dobrei como quem se contorce de dor e vergonha da mãe e chorei no colo dela como se fosse minha amiga. Resultado: não pude mais. Achei maldade não cooperar e acabei dando as respostas que a psicóloga queria ouvir pra ela ficar feliz e eu receber alta logo.
 
No estado de carência, a aproximação de alguém desperta sentimentos confusos e variados. Já passou por isso de querer um colo pra escapar de uma dor intensa, mas sua família e seus amigos estão longe e você se deixa chorar no primeiro colo que aparece? "Ora, Novinha, isso é normal". Pois então tome cuidado, porque muitas vezes só vai aparecer cachorro pra te dar colo, eles pegam essas coisas no faro. Aí você vai levar bronca, vai chorar muito e ainda vai pagar caro por isso.

sábado, 10 de novembro de 2012

Briefing.

Uma coisa eu preciso admitir: difícil imaginar como se fazia planejamento operacional há 15 anos atrás quando ainda não existia a tecnologia que temos hoje. Adoro essas missões onde a gente tem que pensar, planejar, calcular, visualizar  e, claro, executar! Vou pegar um café.
 
 
 


Ps.: Andei, ou melhor, voei... no helicóptero da Polícia!!!
 

domingo, 4 de novembro de 2012

Só por uma noite.

 
 
 
Conseguimos cumprir a missão naquela cidade logo pela manhã, mas só poderíamos voltar pra casa no dia seguinte. É o meu trabalho... fazer o quê? Turismo, oras! Meu parceiro, me levou pra conhecer os pontos interessantes da região. Eu gosto de conhecer lugares diferentes e gosto mais ainda de fazer essas coisas de oportunidade única. Olhamos a agenda cultural e ainda conseguimos comprar ingressos para um show imperdível! Perfeitooooo - pensei - Hoje vou sem stress, sem arma, sem carteira... e sem noção, pois só por uma noite eu quero esquecer que sou policial. Quero ter 17 anos de novo e sair pra me divertir, espairecer, respirar, ser uma pessoa normal (eu disse isso alto?). Fui.

Inesquecível perceber como o mundo é grande aqui longe de casa. E essa música é muito irada e essa cidade é muito irada... E 17 é uma idade muito irada... Veja bem... não há argumentos racionais. Apenas curti até não poder mais, voltei para o hotel e apaguei.
 
Dia seguinte. Café da manhã regional, check out, despedidas... Vambora! Porém, chegando no que vou chamar de portão de saída da cidade, me lembrei que tinha esquecido uma outra coisa: a Isabella (minha pistola) tinha ficado no hotel. Pânico! Voltamos imediatamente para buscá-la... No caminho eu calculando a minha estupidez e o tamanho da punição referente: "Será que isso dá inquérito? Posso alegar incapacidade civil ou inimputabilidade penal? Afinal, ontem eu tinha 17 anos e hoje não é o dia do meu aniversário..." Sei lá, sabe.
 
Pedi a chave, disfarçando a ansiedade e subi correndo. Quando abri a porta, fui direto ao ponto. E essa sapequina tava lá bonitinha, no lugarzinho onde a deixei. Toda brava, olhando séria e reto dentro dos meus olhos tão felizes e aliviados por vê-la novamente. Eh, Isabella. Ciumenta, traquina e vingativa!  Ela fica fosca e gelada de raiva quando saio sozinha.

sábado, 27 de outubro de 2012

Certeza.


 

 
 



Essa foi "A" missão do século!!! E eu acho horrível essa expressão "A-nãoseiquelá do século", mas deu vontade de revelar, em neon, a minha fome de êxtase, como se escrevesse a frase em algum ponto do ar à minha frente.

Tão perto, não importando a distância
Não poderia ser muito mais vindo do coração
 
Incrível, mas parece que agora eu finalmente peguei o jeito desse serviço aqui. Já consigo "prever" algumas coisas, já tenho acertado melhor o local onde ficar, o quê, como e quando fazer. Estou aprendendo muito, muito, muito com Roger Murtaugh! E estamos conseguindo nos entender muito bem. Sério. Eu vejo que ele sabe fazer o trabalho. Sabe muito! E tem conseguido ganhar a confiança do pessoal lá em cima. Porque aqui, saber fazer é até fácil, difícil é convencer os críticos disso. 
 
Sempre confiando em quem nós somos
E nada mais importa
 
Olha, digamos que com Jack Bauer eu fiz o Basic I, II e III. Com Roger Murtaugh eu posso dizer que estou cursando o Intermediate I. Ou seja, outro patamar, ok? (Eu sei que fico insuportavelmente chata  quando estoy... felics, mas vale a pena porque escrevo muito mais rápido). Ocorre que meu chefe me deu uma missão especial dentro dessa missão especial. Traduzindo: ele tem oito agentes, mas dentre essas oito opções, ele preferiu passar a missão pra mim! E então fui vibrando no último volume.
 
Nunca havia me exposto dessa forma
A vida é nossa, nós vivemos do nosso jeito
 
Me senti honrada demais pelo chefe ter confiado a mim esse trabalho. Com certeza foi uma das mais delicadas que já enfrentamos! Me senti super confiante e segura na operação e valeu a pena cada minuto. Me senti privilegiada porque foi uma oportunidade muito interessante. Ah, se eu pudesse contar para meus colegas da faculdade sobre essa missão e sobre tudo o que ouvi e vi nos bastidores daquilo que foi transmitido por tantos meios de comunicação deste país.
 
Todas essas palavras eu não apenas digo
E nada mais importa.
 
Me senti valorizada demais porque as pessoas me respeitaram de uma forma que nem eu mesma sequer imaginava que poderia acontecer. Elas não me falaram nada, especificamente, nesse sentido, apenas me trataram de uma forma que eu juro que não esperava. Deus sabe fazer supresas!
 
Acredite, eu procuro e encontro isso em você
Todos os dias tens algo novo pra nós
 
Me diverti! 
 
Mente aberta para novos pontos de vista
E nada mais importa
 
E quando tudo terminou e muito bem, percebi que meu chefe ficou vi-si-vel-men-te muito orgulhoso e satisfeito com o meu trabalho. E eu contei tudo pra ele com tanta emoção (preciso de terapia?) e com tanta felicidade (estoy loka?). E ele achando que eu ficaria chateada por ter que trabalhar na folga (Soy loka por ti, América! Soy loka por ti, amore!). Nesse caso, as orientações do sindicato fazem tanto sentido quando as pérolas da Marta Suplicy. 
 
Nunca me importei pelo que eles fazem
Tô nem aí para o que eles sabem
Mas eu sei.
 
Disse várias vezes a ele que pode contar comigo sempre que alguma coisa assim aparecer (sou dessas oferecidas). E ele ainda me agradeceu, com aquele sorriso experiente de certeza no rosto.
 
Tão perto, não importando a distância
Não poderia ser muito mais vindo do coração
 
Ainda estou aqui processando as informações. Pensando na grandeza dessas possibilidades e em como é importante você trabalhar naquilo em que tem prazer (soy piegas, pero soy feliz). Não tenho dúvidas. É certeza que estou no lugar certo.

Sempre confiando em quem nós somos
E nada mais importa

PS. 1 - O que está centralizado é a minha tradução da música Nothing Else Matters do Metálica.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Muito chão pela frente.


Meu boot par-ceiro em cima da máquina de lavar roupas esperando pra ser limpo. Mas não se iludam com esse jeito domesticado dele. Isso é inquieto igual à dona.